NEOCONSERVADORISMO NO BRASIL: VIOLÊNCIA URBANA, RACISMO E OS DESAFIOS DO TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL

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Rejane Fatima Gorreis

Resumo

O presente artigo propõe uma análise crítica das expressões contemporâneas da violência urbana, do racismo estrutural e do avanço do neoconservadorismo no Brasil, articulando tais fenômenos à atuação do Serviço Social e à defesa dos direitos humanos. A reflexão parte da imagem simbólica dos corpos enfileirados na Praça da Penha, no Rio de Janeiro, após uma operação policial, compreendida como representação da necropolítica e da banalização da vida. A metodologia adotada é qualitativa, de caráter teórico-crítico, fundamentada na tradição marxista e na abordagem histórico-crítica do Serviço Social. O estudo dialoga com autores como Achille Mbembe, Silvio Almeida, Ricardo Antunes, Marilda Iamamoto, Elaine Behring, Jason Stanley e Umberto Eco. Os resultados evidenciam que a crise estrutural do capital e o avanço do conservadorismo produzem a precarização do trabalho, o desmonte das políticas públicas e o fortalecimento de práticas autoritárias. Conclui-se que o Serviço Social é convocado a reafirmar seu projeto ético-político, resistindo à naturalização da violência e defendendo a vida, a justiça social e os direitos humanos como valores inegociáveis.

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Seção

Dossiê

Biografia do Autor

Rejane Fatima Gorreis, Unipampa

Assistente social, mestranda em Serviço Social e Proteção Social pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus São Borja. Graduada em Serviço Social pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER), onde participou do Programa de Iniciação Científica, experiência que contribuiu para sua inserção na pesquisa acadêmica. Possui especializações em Serviço Social em Oncologia, Política de Assistência Social e Políticas Públicas e Gestão Governamental.

Sua trajetória formativa inicial é na área da Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas e especialização em Comunicação Empresarial pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), campo que permanece atravessando sua atuação profissional, especialmente no que se refere à comunicação institucional, mediação e trabalho com grupos.

A escolha pela formação em Serviço Social está vinculada a experiências pessoais e profissionais que impulsionaram a ampliação de sua atuação no campo das políticas públicas, com destaque para a vivência como mãe de adolescente com Transtorno do Espectro Autista, aspecto que contribui para uma perspectiva sensível e comprometida com a defesa de direitos.

Possui experiência na Política de Assistência Social, com atuação como coordenadora de CRAS, desenvolvimento de ações com famílias em situação de vulnerabilidade social, articulação intersetorial e gestão de serviços socioassistenciais. Atua como perita social junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e como tutora e supervisora acadêmica na área de Serviço Social.

Desenvolve estudos e pesquisas com ênfase nas políticas de proteção social, especialmente na interface entre envelhecimento, saúde e atuação profissional do Serviço Social, a partir de uma perspectiva crítico-dialética.

 

Daniela Camargo, Unipampa

Assistente Social, Pós-Graduanda do curso de Mestrado em Serviço Social e Proteção Social, Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA. Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Proteção Social - PPG-SSPS, 2025

Como Citar

GORREIS, Rejane Fatima; CAMARGO, Daniela. NEOCONSERVADORISMO NO BRASIL: VIOLÊNCIA URBANA, RACISMO E OS DESAFIOS DO TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL. Brazilian Journal of Research in Applied Social Sciences, [S. l.], v. 5, n. 2, p. 01–12, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/BJRASS/article/view/122272. Acesso em: 22 maio. 2026.

Referências

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