CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS ORGÂNICOS UM ESTUDO DE CASO SOBRE O ARROZ TERRA LIVRE®

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Germano Ehlert Pollnow
Nádia Velleda Caldas
Daiane Roschildt Sperling

Resumo

O modelo de exploração agropecuária, alicerçado nas bases da Revolução Verde, vem demonstrando uma série de problemas. Contudo, existem diferentes sistemas produtivos, entre as quais está a produção orgânica, cuja importância é crescente. Neste contexto, o objetivo deste artigo é analisar o desenvolvimento da produção de arroz orgânico em assentamentos da Reforma Agrária no Rio Grande do Sul, com ênfase na certificação e suas interfaces com a comercialização. Para darmos conta desse propósito, além de uma breve revisão bibliográfica e documental, utilizamos uma metodologia de cunho qualitativo a partir da análise dos dados obtidos em entrevistas realizadas com representantes das organizações de famílias de assentados ligadas ao arroz Terra Livre®. O estado do Rio Grande do Sul destaca-se no cultivo de arroz orgânico produzido, especialmente, em assentamentos de reforma agrária. Na safra de 2016/2017, 616 famílias, distribuídas em 22 assentamentos e situadas em 16 municípios, foram responsáveis por gerar 550 mil sacas deste produto. Toda produção é comercializada com a marca Terra Livre®, a qual é certificada mediante a modalidade por auditoria, com algumas particularidades que tornam a dinâmica de certificação mais horizontal e participativa. O principal desafio apontado pelos assentados é a comercialização, sobretudo devido ao declínio nos últimos anos de incentivos às políticas públicas para a agricultura familiar. Apesar disso, os resultados dessa iniciativa vêm demonstrando a dimensão de um projeto construído com base na agroecologia como força motriz de um processo de desenvolvimento diferenciado que amplia as perspectivas das famílias envolvidas.

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Detalhes do Artigo

Como Citar
POLLNOW, G. E.; CALDAS, N. V.; SPERLING, D. R. CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS ORGÂNICOS. Revista Científica Agropampa, v. 3, n. 3, p. 90-109, 12 dez. 2020.
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Germano Ehlert Pollnow, Universidade Federal de Pelotas

Engenheiro Agrônomo graduado pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM), Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Mestre em Agronomia pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar (PPG SPAF), Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atualmente, é estudante de doutorado no PPG SPAF/UFPel e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Exerce suas atividades de pesquisa, extensão e ensino junto ao Núcleo de Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Políticas Públicas para Agricultura Familiar (NUPEAR/UFPel). Trabalhou como extensionista rural junto ao Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA - Núcleo Pelotas). Tem experiência na área de ciências agrárias, atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura familiar, agroecologia, extensão rural, certificação participativa, certificação de orgânicos, indicações geográficas, mercados institucionais, desenvolvimento rural e sucessão familiar. Representante do corpo discente do PPG SPAF no período 2019-2020.

Nádia Velleda Caldas, Universidade Federal de Pelotas

Professora Adjunta do Departamento de Ciências Sociais Agrárias, Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais, ambos da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (UFPel). Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pelotas (2003), Mestrado (2008) e Doutorado (2011) pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar pela Universidade Federal de Pelotas com período sanduíche no Departamento de Antropologia da Universidad de Sevilla. Atuou como professora visitante na Università della Calabria onde realizou estágio pós-doutoral junto ao Departamento de Ciência Política e Social. Realizou estágio pós-doutoral também no Instituto de Estudios Sociales Avanzados, ligado ao Consejo Superior de Investigaciones Científicas, em Córdoba, España. Experiência na área de Sociologia Rural, com ênfase em Agricultura Familiar, atuando especialmente nos seguintes temas: políticas públicas, sistemas de certificação, desenvolvimento rural, agricultura familiar, extensão rural e segurança alimentar.

Daiane Roschildt Sperling, Universidade Federal de Pelotas

Engenheira agrônoma graduada pela Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Estudante de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar (PPG SPAF), Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Tem experiência na área de Agronomia, atuando nos seguintes temas: agroecologia, agricultura familiar, desenvolvimento territorial, diferenciação de produtos agroalimentares, segurança alimentar e agroclimatologia agrícola.