AS RUGOSIDADES DA PAISAGEM SERRANA DO LENHEIRO, SÃO JOÃO dEL REI – MINAS GERAIS
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Resumo
O geógrafo Milton Santos (1978;1996) utiliza o conceito de rugosidade para descrever como as relações sociais são historicamente materializadas no espaço. Por meio deste conceito e dos aportes teóricos deste autor e de Moraes (1987;1988; 1991) o estudo busca evidenciar na paisagem serrana do Lenheiro os resquícios da mineração do Brasil Colonial retomando a cena em que estes elementos foram construídos para a exploração das pedras preciosas. Metodologicamente, foi realizada uma análise do conceito de rugosidade na paisagem da Serra do Lenheiro, a partir dos resquícios da mineração do século XVII ao XIX. Essas rugosidades foram construídas por meio do trabalho de pessoas escravizadas; sujeitos africanos escravizados que vieram do continente Africano, para trabalhar nas diversas atividades econômicas do território brasileiro (Furtado,1959; Souza, 2021), incluindo as minas de São João del Rei, Minas Gerais. Ao apresentarmos as “Betas”, “Canal dos Ingleses” e os “Muro de Sesmaria”, o objetivo deste artigo é demonstrar a importância da preservação destes bens para combater o “memoricídio” e “epistemicídio” do período escravocrata no território brasileiro na busca pela conservação da Serra do Lenheiro, advindo da sua importância histórica, ambiental e cultural.
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