Outras Inimizades: o problema da Guerra para Carl Schmitt e Pierre Clastres
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Resumo
A literatura sobre as Novas Guerras impôs um desafio à compreensão clausewitziana da guerra como continuação da política no mundo contemporâneo. Não obstante, a abordagem deixa pouco especificada a caracterização da dimensão política da guerra, isto é: uma decisão existencial irredutível a modelos racionais. No século XX, o jurista alemão Carl Schmitt estipulou a especificidade política da guerra clausewitzeana como sendo a realização extrema da inimizade, inscrevendo a guerra como um corolário das relações amigo-inimigo. Assim, o político permanece central à compreensão da guerra, acompanhando também as transformações históricas e estruturais do sistema internacional. No entanto, o caráter político da guerra schmitteana permanece aplicável invariavelmente? Para Pierre Clastres, a guerra é uma estrutura sociológica onipresente nas sociedades ameríndias, e que também adquire sua tonalidade através da definição do inimigo. Neste artigo visamos responder à pergunta, comparando Schmitt e Clastres, se seus conceitos guerra residem em concepções cosmológicas distintas, abrindo uma indagação sobre a natureza e a realidade e do poder soberano tal como exercido nas sociedades ocidentais e ameríndias tal como interpretadas por cada autor.
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