POSSIBILIDADES DE APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO SUPERIOR DE UNIVERSITÁRIOS INDÍGENAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Palavras-chave:
População, indígena, Ensino, superior, MonitoriaResumo
Introdução: A presença de indígenas no ensino superior é historicamente recente, data da década de 1990, a partir do incentivo governamental por meio de políticas públicas. Objetivo: Destacar as possibilidades de aprendizagem na formação superior de universitários indígenas. Materiais e métodos: Relato de experiência derivado da tutoria e monitoria indígena concretizado a partir do Edital de Ações Afirmativas, n.80/2019 da Universidade Federal do Pampa. Desenvolvido por uma tutora docente do Curso de Enfermagem e uma monitora universitária do Curso de Fisioterapia. Tem ainda como participante um universitário indígena, do sexo masculino, do primeiro semestre do curso de Enfermagem. As ações afirmativas iniciaram-se em maio de 2019, estendem-se até dezembro do referido ano e têm carga horária de 12 horas semanais. Resultados e discussão: O reforço ao processo de alfabetização em língua portuguesa constituiu-se em possibilidade vinculada a inserção indígena na formação superior. No primeiro semestre de 2019 identificou-se um universitário indígena com déficit no quesito interpretação textual. Sabe-se que a seleção de indígenas para a formação superior inicia-se com a indicação declarada de etnia e posteriormente realização de uma redação científica. Entretanto, durante o desenvolvimento das ações afirmativas obteve-se o relato do universitário indígena sobre a existência desta barreira desde sua alfabetização na comunidade indígena. Tal aspecto não se restringe a população indígena, engloba grande número de estudantes e universitários oriundos de comunidades situadas em zona rural ou em periferias urbanas. O acesso as tecnologias de informação e comunicação (TIC) também se constitui em possibilidade de aprendizagem na formação superior. Aos indígenas é proporcionado auxílio no acesso e na manipulação das redes interativas do ambiente universitário e de relações sociais. Destaca-se que as lacunas na alfabetização são mantidas mesmo com o uso de computador, pois a acentuação de palavras, a pontuação e mesmo a estrutura de uma frase inexistem no contato do indígena universitário com a TIC. Ele também não conseguiu acompanhar as orientações docentes e as informações dos colegas por meio do uso das mídias. A tutoria e a monitoria permitiram a solicitação de acesso aos planos de ensino dos componentes curriculares, a identificação doutras atividades específicas de monitoria e a organização da agenda de atividades do indígena universitário para que o mesmo as realize também. Conclusão: O reforço à alfabetização em língua portuguesa e no acesso a TIC são possibilidades de aprendizagem significativas para viabilizar a inserção desta população ao ambiente universitário. Tais resultados ratificam os esforços governamentais para a redução das iniquidades sociais. Educacionalmente, contribuem para a redução das taxas de evasão universitária. E, em termos de acesso aos serviços de saúde viabilizam possibilidades de atendimentos às comunidades indígenas.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
POSSIBILIDADES DE APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO SUPERIOR DE UNIVERSITÁRIOS INDÍGENAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87634. Acesso em: 14 maio. 2026.