DILEMAS MORAIS E BIOÉTICA: CONSTRUÇÃO DE CASOS PARA O ENSINO MÉDICO

Autores

  • Sarah Brum
  • Ingrid dos Santos Ferreira
  • Laissa Santana de Jesus
  • Juliana Lopes de Macedo
  • Gustavo Ruiz Chiesa

Palavras-chave:

Bioética, Dilemas, Morais, Educação, Médica, Metodologia, Ensino

Resumo

Introdução: A formação médica vem sofrendo críticas relacionadas ao ensino conteudista, hospitalocêntrico e com foco na doença. Com o objetivo de transformar essa realidade, as DCNs do curso de Medicina (2014) propõem o ensino com ênfase na integralidade da pessoa, baseado preferencialmente em metodologias ativas e com uma forte perspectiva na formação ética e humanística. Objetivo: A bioética é o escopo disciplinar para essa proposta, pois, abarca diversos aspectos sociais para refletir sobre dilemas morais que interferem na relação médico-paciente. Assim, busca-se elaborar casos de bioética que serão utilizados como ferramenta pedagógica no curso de Medicina. Material e métodos: A metodologia envolveu revisão teórica sobre as diferentes abordagens em bioética, referências cinematográficas e entrevistas com profissionais da saúde para a construção de casos que tenham relevância para a prática médica. Resultados e discussão: Até o momento foram elaborados dois casos. O primeiro caso trata de uma menina diagnosticada com leucemia linfoide aguda, cujos pais geram outro filho por inseminação artificial, o qual servirá ao propósito de ser a doador biológico e, logo, de salvar a vida da irmã. Caracterizada como um princípio bioético, a autonomia refere-se à capacidade de o ser humano decidir, livremente, sobre si e seu bem-estar. É importante lembrar que o homem não nasce autônomo, mas torna-se autônomo. Por esse motivo, existem pessoas, a exemplo das crianças, que possuem autonomia reduzida. Reduzida, porém não ausente. Dessa maneira, sob a perspectiva do transplante de órgãos, na tentativa de não causar dano, é necessário questionar acerca da decisão de doar órgãos, ou mesmo de realizar procedimento invasivo, não sendo o indivíduo objetificado ou desqualificado, em detrimento da vida de outro ser humano. O segundo caso trata de uma paciente atendida na atenção básica com queixa de corrimento vaginal, e após a realização dos testes rápidos, foi detectado sífilis e HIV. A paciente possuía um companheiro com quem tinha relações sexuais desprotegidas e, por isso, foi solicitado a ela que o levasse para realizar os exames. O companheiro não compareceu para atendimento e quando a paciente retornou para consulta, a equipe a pressionou para que contasse ao companheiro sobre sua condição sorológica, caso contrário, a própria equipe o faria. Este caso representa uma situação em que a quebra de sigilo médico é permitida, pois envolve prejuízo a terceiros. O princípio bioético cardinal envolvido é a justiça, envolvendo o seguinte dilema ético: manter o sigilo em não compartilhar uma informação importante que cause prejuízo a terceiros ou quebrar o sigilo e esclarecer o parceiro. Conclusão: Os casos elaborados até o momento possuem diferentes objetivos de aprendizagem em relação aos conteúdos contemplados pela bioética. Entretanto, ambos os casos buscam problematizar e refletir, a partir de uma metodologia de ensino ativa, situações da prática médica.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

DILEMAS MORAIS E BIOÉTICA: CONSTRUÇÃO DE CASOS PARA O ENSINO MÉDICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87190. Acesso em: 15 maio. 2026.