EI, CALMA! PORQUE NÃO SOU QUALQUER PESSOA! EU SOU DESCENDENTE DE GRANDES GUERREIROS!
Palavras-chave:
Intelectuais, Negras, Paulina, Chiziane, AFROnteiras, IV, COPENE, SULResumo
AFROnteiras Negras Unipampa é um grupo de estudos e pesquisas que tem por objetivo a leitura de obras de intelectuais negras nacionais e internacionais, numa perspectiva afro-referenciada e afro-centrada, contemplando suas escrevivências. Este estudo se propõe analisar a entrevista com a escritora moçambicana Paulina Chiziane durante o IV COPENE SUL, o Congresso de Pesquisadores/as Negros/as da Região Sul realizado de 16 a 19 de julho de 2019 na Unipampa Campus Jaguarão, uma realização da ABPN, da Unipampa e do NEABI Mocinha. Paulina Chiziane foi a referência internacional especialmente convidada para este evento e NIKETCHE: uma história de poligamia foi a obra escolhida para as reflexões do grupo no semestre 2019-1. Sua vinda ao Brasil foi financiada pela Unipampa/DAEINTER e contou com parceria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Laboratório de Literaturas e Culturas Africanas e da Diáspora Negra (Licafro UFF) e a Nandyala Editora. A entrevista concedida ao NEABI Mocinha (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas) no dia 16/07/2019, trouxe as seguintes problemáticas: a importância do IV COPENE SUL, o movimento negro, ser intelectual negra nos dias atuais, as lutas das mulheres negras, a necessidade da comunidade negra conhecer sua própria história. O objetivo do trabalho é analisar e refletir as problemáticas pautadas nesta entrevista, sendo a pesquisa de caráter qualitativo. Em sua fala Chiziane destacou a importância do IV COPENE SUL e salientou que os temas discutidos no evento estavam de certa forma relacionados com a África, pois as lutas e as preocupações como, por exemplo, as questões de raça, classe e gênero também são discutidas em Moçambique. Para a escritora vir ao Brasil é sempre uma oportunidade de resgatar um pedaço da sua identidade e sentir-se mais fortalecida com a energia que recebe dos movimentos negros e reforçou que é muito importante o negro se apropriar da sua própria história, para poder contar suas memórias e vivências, não permitindo que a história seja contada pelo colonizador. A intelectual nasceu em Moçambique na cidade chamada Manjacaze (colonizada por Portugal). Nesta localidade nasceram os guerreiros que lutaram e conquistaram a independência de Moçambique em 1975. Sendo assim, Paulina não é qualquer pessoa como ela mesma conta. Quando alguém tenta inferiorizá-la ela diz: ei, calma! Porque não sou qualquer pessoa! Eu sou descendente de grandes guerreiros! Ser uma intelectual negra nos dias atuais ainda tem suas limitações e desafios por conta de tudo que envolve a invisibilidade dessas mulheres. Chiziane foi pioneira em Moçambique onde os enfrentamentos eram maiores e mais difíceis. Sofreu muitas críticas e lutou muito contra o machismo. Porém, ela enfatizou que é muito gratificante quando as conquistas são alcançadas no decorrer dos anos: é um prazer enorme eu dizer: eu invadi, eu assaltei a catedral masculina de letras.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
EI, CALMA! PORQUE NÃO SOU QUALQUER PESSOA! EU SOU DESCENDENTE DE GRANDES GUERREIROS!. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87946. Acesso em: 3 maio. 2026.