RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA DE ACOLHIMENTO PARA REFUGIADOS VENEZUELANOS
Palavras-chave:
PLAc, refugiados, identidades, venezuelanosResumo
O ensino de português como língua adicional (PLA) tem crescido nos últimos anos e, segundo os dados emitidos pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), o Brasil declarou, em 2018, um total de 1.086 refugiados de diversas nacionalidades, assim, atingindo uma marca de 11.231 pessoas reconhecidas como refugiadas pelo estado brasileiro. Diante disso, as UFES estão promovendo mais cursos de Letras voltados para a formação de professores de PLA e, com isso, é preciso pensar em políticas linguísticas capazes de acolher os refugiados e imigrantes no Brasil, contribuindo, significativamente, com o processo de integração desses indivíduos nas sociedades onde se encontram inseridos. Para Lussi (2015), a problemática migratória no Brasil carece de uma política que promova o acolhimento e a integração de indivíduos que estão em constante mobilidade humana, mas que também respeite a pluralidade cultural. Por meio do domínio do Português e da criação de espaços pedagógicos para o ensino PLA que promova o acolhimento e a integração dos refugiados proporcionando a pluralidade cultural, é possível estarmos abertos a conhecer a cultura do outro e não só a nossa. Assim, este trabalho pretende refletir sobre a importância do ensino de PLA como língua de acolhimento (PLAc) através da análise das temáticas do módulo identidades, ministrado para refugiados venezuelanos, desenvolvido dentro do curso Aspectos da Cultura Brasileira, ofertado pelo programa Idiomas Sem Fronteira (ISF), da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Bagé. Nesse módulo foram trabalhadas algumas identidades que encontramos no Brasil como quilombolas e indígenas, relacionando-as às identidades estrangeiras atualmente refugiadas no Brasil. Esse trabalho baseia-se em uma abordagem de ensino intercultural (Mendes, 2008), promovendo diálogos inter e multiculturais, estimulando o respeito ao outro e à diversidade cultural. Ao abordar a identidade venezuelana pudemos perceber que os discentes relataram aspectos de sua vida, tanto na Venezuela como quanto em relação à dificuldade de construírem uma nova vida no Brasil. Quanto a essa dificuldade, segundo eles, antes de vir para cá, nosso país era visto como acolhedor e, após passarem a residir nele, viram que não havia políticas públicas que conseguissem acolhê-los de modo adequado. A partir disso, entende-se que ensinar uma língua não se resume a ensinar regras e estruturas gramaticais, mas também desenvolver a interculturalidade, enriquecendo dialogicamente a experiência dos docentes e discentes envolvidos neste processo de interação e inserção social.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA DE ACOLHIMENTO PARA REFUGIADOS VENEZUELANOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87368. Acesso em: 13 maio. 2026.