RECONSTITUIÇÃO DE LACERAÇÃO PERINEAL DE TERCEIRO GRAU EM ÉGUA CRIOULA: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Infertilidade, equina, Cirurgia, veterinária, Reprodução, animal, reprodutivaResumo
Lesões das vias fetais moles são frequentes, especialmente em éguas, que se estabelecem em decorrência de distocias pela apresentação ou posicionamento inadequado do feto no canal do parto. As lacerações podem ser classificadas em primeiro, segundo e terceiro grau, sendo a última de pior prognóstico. Lacerações de terceiro grau são caracterizadas pela ruptura do assoalho dorsal da vagina, assoalho ventral do reto, vulva e esfíncter anal, levando a uma abertura comum entre reto e vagina. Em consequência disso, as éguas acumulam fezes no trato reprodutor desenvolvendo vaginite, cervicite, endometrite, podendo chegar à condição de infertilidade permanente ou até mesmo peritonite e morte. A reconstrução cirúrgica é necessária para reestabelecer ao animal sua saúde reprodutiva e bem estar. Este trabalho tem como objetivo relatar a correção cirúrgica de laceração retovaginal de terceiro grau em uma égua crioula, primípara, atendida na cidade de Uruguaiana-RS. Ao exame clínico, a égua apresentava alterações anatômicas que transformavam a porção aboral da ampola retal e vagina em uma cavidade comum, com acúmulo de ar, fezes e urina. No dia anterior ao procedimento cirúrgico, foi suspensa a oferta de alimento concentrado, recomendado apenas pastoreio ad libitum e feno de alfafa até a completa recuperação. Visando reduzir a tensão da sutura e facilitar limpeza da ampola retal no pós-operatório, a correção foi realizada em duas etapas. No pré-operatório, foi administrado 0,4 mg/kg de detomidina EV, anestesia epidural e anestesia local com lidocaína 2%. A cauda foi enfaixada, as fezes foram removidas, e o compartimento retovaginal e períneo foram higienizados com água e sabão para posterior antissepsia com clorexidine. Seguindo uma adaptação da técnica originalmente descrita por Gotzke (1944), foram rebatidas e suturadas com fios poliglactina 2-0 as mucosas do assoalho ventral do reto e dorsal da vagina, reconstruindo a porção cranial do septo retovaginal. Duas semanas após, foram removidos os pontos e finalizada a reconstrução da porção final do septo retovaginal, vulva, períneo e ânus. Como pós-operatório, foi recomendada a limpeza do reto pelo menos 5 vezes ao dia, durante uma semana; também foi prescrita a administração de flunixina meglumina, EV, SID; e associação de 20 milhões UI de penicilina e 1,7 g de gentamicina, IM, BID, durante 5 dias. Após 30 dias do primeiro procedimento, a égua apresentou completa cicatrização da ferida e padrões normais de morfoecogenicidade uterina avaliada por ultrassonografia. Animais submetidos á reconstrução cirúrgica possuem um prognóstico favorável quando a cicatrização do reparo é bem sucedida. Quanto a retomada reprodutiva, recomenda-se cobertura por inseminação artificial, sabendo que se trata de uma técnica menos invasiva e de maior controle, quando comparada a monta natural. Os próximos partos deverão ser assistidos, pois pode haver complicações, necessitando de auxílio ou até mesmo intervenção cirúrgica.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
RECONSTITUIÇÃO DE LACERAÇÃO PERINEAL DE TERCEIRO GRAU EM ÉGUA CRIOULA: RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87163. Acesso em: 3 maio. 2026.