A PREPARAÇÃO PARA O ENEM INFLUENCIA NO APRENDIZADO DA ANATOMIA ANIMAL?

Autores

  • Daniel Guerra
  • Patrick da Silva Magalhães
  • Thayanne de Carvalho Machado Barbosa
  • Paulo De Souza Junior
  • Amarilis Díaz de Carvalho

Palavras-chave:

anatomia, animal, ensino, básico, processo, ensino-aprendizagem

Resumo

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) avalia o desempenho escolar ao final da Educação Básica e possibilita o acesso ao ensino superior. A anatomia é um conteúdo obrigatório no primeiro semestre dos cursos de Medicina Veterinária que alicerça a prática profissional. Componentes de anatomia historicamente têm alto índice de reprovação. Conteúdos extensos, nomenclatura desconhecida, odor do formaldeído, repulsa a cadáveres e imaturidade acadêmica são alguns dos fatores incriminados. Uma das hipóteses seria que um embasamento deficiente no ensino médio refletiria em baixo aproveitamento na Universidade. Objetivou-se, portanto, observar a existência de correlação entre o desempenho no Enem e o aproveitamento em um componente curricular de Anatomia Animal de alunos ingressantes do curso de Medicina Veterinária da UNIPAMPA. A metodologia iniciou com a tabulação das notas do Enem e as médias finais em Anatomia dos Animais Domésticos I dos ingressantes de cinco semestres consecutivos (2017.1 a 2019.1) no software BioEstat 5.3®. As notas de alunos que reprovaram por frequência foram excluídas do estudo. Calcularam-se as médias aritméticas das notas das turmas, realizou-se a análise de variância unidirecional (ANOVA) (significância p < 0,05) para comparação das notas entre turmas e a correlação linear de Pearson entre as notas do Enem e da Anatomia. Considerou-se uma correlação forte quando r > 0,7, moderada quando 0,7 > r > 0,5 e fraca quando r < 0,5. Em 2017.1 (n=29), as notas médias do Enem, de anatomia animal e o coeficiente r foram, respectivamente, 663, 7,11 e r = 0,10; em 2017.2 (n=39), 586, 6,05 e r = 0,22; em 2018.1 (n=31), 654, 7,6 e r = 0,12; em 2018.2 (n=29), 587, 6,33 e r = 0,60; e em 2019.1 (n = 33), 669, 6,85 e r = 0,30). Ao considerar os dados das cinco turmas conjuntamente (n = 161), obteve-se r = 0,40. A ANOVA confirmou que tanto a nota média do Enem quanto a média final em Anatomia foram significativamente maiores nos ingressantes do primeiro semestre letivo (p < 0,05). Houve correlação positiva entre as notas do Enem e de Anatomia, embora de natureza apenas fraca a moderada. Os resultados deste estudo permitem concluir que os alunos que ingressam no primeiro semestre letivo têm aproveitamento substancialmente maior também em Anatomia, possivelmente em virtude de uma melhor preparação prévia para o Enem. No entanto, quando analisadas as performances dos alunos dentro de uma mesma turma, o efeito da nota do Enem sobre o desempenho em Anatomia fica menos evidente. Pode-se sugerir que os alunos com melhores notas no Enem tiveram um melhor condicionamento de estudos prévio ao ingresso na Universidade, influenciando no aprendizado. Todavia, o conteúdo exigido no Enem pode não ter ampla aderência com os pré-requisitos necessários para o aprendizado de Anatomia Animal. A análise de outros componentes curriculares e em mais cursos de graduação pode ampliar o entendimento sobre a relação entre aprendizado no ensino médio e ensino universitário.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

A PREPARAÇÃO PARA O ENEM INFLUENCIA NO APRENDIZADO DA ANATOMIA ANIMAL?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 11, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/87161. Acesso em: 13 maio. 2026.