MONITORIA INDÍGENA: UMA INTERLOCUÇÃO ENTRE ALDEIA E A ACADEMIA.

Autores

  • Mariana da Fontoura
  • Leandro Xavier da Silva
  • Marta Iris Camargo Messias da Silveira
  • Alinne de Lima Bonetti
  • Nelson Francisco Serrao Junior

Palavras-chave:

INDÍGENA, UNIVERSIDADE, MONITORIA

Resumo

Neste trabalho relata-se as experiências que se adquiriu com a realização das atividades de monitoria, e de que forma estas auxiliaram no rendimento acadêmico e crescimento pessoal. A monitoria fortalece os laços de respeito às diferenças culturais, onde aprendemos que este olhar etnocêntrico de enxergar o mundo necessita ser superado. A importância destes indígenas dentro da universidade vai além da questão de representatividade para os seus, mostra também que a instituição em que estamos nos desenvolvendo profissionalmente coloca em prática seu discurso de universidade laica, de qualidade e é feita para todas e todos. A permanência ao ensino superior para população indígena, não deve ser compromisso apenas de uma lei federal, mas de todos nós. Quando o discente indígena ingressa na universidade, o desafio se torna ainda maior, pois seu ensino fundamental e algumas vezes o ensino médio são totalmente voltados para sua aldeia, e sua língua materna é a base de tudo, sendo a mais usada em sua comunidade. Iniciou-se o processo de ensino-aprendizagem com a acadêmica I.D., após a minha participação na seleção de monitores para o assessoramento aos alunos indígenas. O maior objetivo destas monitorias é que os conteúdos passados pelos docentes ficassem mais claros possíveis, assim estreitando o processo de ensino-aprendizagem. Debatendo entre os monitores, notou-se que a acadêmica apresentou dificuldade na interpretação de texto e que precisava revisar cotidianamente todos os conteúdos curriculares ministrados no passado, juntamente com as referências bibliográficas disponíveis no plano de ensino de cada componente curricular, e que só desta forma conseguiria mais autonomia de estudo e começaria a se familiarizar com o hábito de leitura, interpretação de texto e diminuição das dificuldades enfrentadas neste quesito. Mas é imprescindível lembrar que a linguagem técnica dificulta a compreensão e o entendimento de disciplinas específicas do curso de fisioterapia, as quais exigem da mesma maior empenho para conseguir avançar no componente curricular do curso. No início tivemos dificuldades em nos comunicarmos, a acadêmica indígena é tímida e muito calada. Achou-se que, inicialmente, isto era cultural, mas no decorrer do processo, observaram-se individualidades em seus comportamentos. Atitudes de defesa e estranhamento são comuns já que fazem parte de sua cultura, então, querer que um indígena se enquadre aos comportamentos atuais, modernos e/ou contemporâneos é fazer com que o mesmo perca sua essência e se torne outra pessoa. A acadêmica indígena tem um futuro brilhante pela frente, porém, faz-se necessário maneiras diferenciadas de assessoramento, assim, possibilita o entendimento das matérias abordadas e consequentemente refletirá em seu desenvolvimento acadêmico, e como dizemos na área saúde: o ser humano é um ser complexo com suas peculiaridades e necessita ser visto como um todo. A universidade tem o dever de instigar, preparar e modificar o aluno, e é preciso usufruir constantemente deste espaço uma vez que ele possibilita enxergar diversas oportunidades em meio às dificuldades enfrentadas a cada dia enquanto universitário.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

MONITORIA INDÍGENA: UMA INTERLOCUÇÃO ENTRE ALDEIA E A ACADEMIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85930. Acesso em: 21 out. 2026.