A AUTORREGULAÇÃO COMO PARTE DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM A PARTIR DA MONITORIA DE MORFOLOGIA

Autores

  • Priscylla Marchioni
  • Taise Simioni

Palavras-chave:

Autorregulação, Monitoria, Morfologia

Resumo

Este trabalho tem por objetivo investigar como a monitoria pode incentivar autorregulação em processos de ensino-aprendizagem dos alunos, através de um estudo de caso realizado na monitoria do componente curricular Morfologia, ofertado em 2017/1 no Curso de Licenciatura em Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé/RS. Sobre a autorregulação, trata-se de um processo no qual o aluno se coloca como responsável de sua aprendizagem, exercendo controle e reconhecimento de suas dúvidas e dificuldades, buscando as formas mais apropriadas para saná-las, e, para isso, é necessário que o aluno esteja consciente de seus propósitos e estratégias. Segundo Lopes da Silva et al. (2004), o processo de autorregulação pode ser dividido em quatro fases, sendo elas: antecipação e definição de objetos; planejamento estratégico; monitoração; e autorreflexão e autorreação. Segundo Frison e Moraes (2010), autorregular as aprendizagens consiste num processo que envolve autonomia, iniciativa, planejamento, organização, características inerentes à vivência da monitoria que, por si só, exige de quem dela participa um mínimo de responsabilização pelo próprio processo de aprendizagem. Para tal investigação, foi realizado um estudo de caso com uma aluna voluntária matriculada no componente curricular Morfologia em 2017/1. Segundo Yin (2005), o estudo de caso pode ser tratado como metodologia para a pesquisa em ciências humanas, favorecendo uma visão abrangente sobre os acontecimentos da vida real, destacando seu caráter de investigação empírica de fenômenos sociais contemporâneos. Os encontros da monitoria com a participante aconteciam semanalmente ou sempre que ela procurasse a monitora, individualmente. Foram realizados cerca de onze atendimentos com a aluna voluntária, de no mínimo 30 minutos e no máximo 1 hora e 30 minutos de duração cada, gravados por um gravador de áudio através de um smartphone. A partir dos áudios gravados, foi possível perceber momentos em que a participante regulava sua aprendizagem, além de relacionar alguns desses momentos com as fases citadas por Lopes da Silva et al. (2004). No trecho Depois daquele dia eu fui estudar isso em casa sozinha e não entendia mais nada, achei muito confuso; ela demonstra definição dos objetos e planejamento estratégico; já no trecho Eu prefiro que tu faça no quadro pra eu poder visualizar melhor. Eu aprendo muito com o visual. Se eu não enxergar, na minha cabeça, eu não entendo nada. [...] Escrevendo também, eu aprendo escrevendo, a aluna demonstra monitoração de sua aprendizagem e, por fim, no trecho É isso, então? Acho que tô começando a entender agora, ela demonstra autorreflexão e autorreação sobre seu processo de aprendizagem. Após a análise dos áudios, foi possível concluir que, neste estudo de caso, a participante utilizou a monitoria como um espaço de autorregulação da sua aprendizagem, consciente de suas dúvidas, expectativas, estratégias e limitações. Portanto, pode-se esperar que, a partir do presente estudo, se possa repensar práticas e estratégias que incentivem os alunos a autorregularem seus processos de aprendizagem, o que o torna mais responsável e autônomo de sua própria aprendizagem, tornando esta, talvez, mais significativa para o aluno.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

A AUTORREGULAÇÃO COMO PARTE DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM A PARTIR DA MONITORIA DE MORFOLOGIA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85739. Acesso em: 30 out. 2026.