CULTURA DO ESTUPRO: MULHER E FATORES PARA A CRÍTICA

Autores

  • Tais da Cruz
  • Monique Bronzoni Damascena

Palavras-chave:

cultura, estupro, mulher, crítica

Resumo

O presente artigo tem o objetivo de analisar as vertentes do estupro como uma categoria cultural, para isso foi utilizada uma aproximação do método dialético-crítico e também pesquisas bibliográficas. A partir do referencial teórico conclui-se que a cultura do Estupro define-se como a forma da sociedade culpabilizar a mulher vítima de assédio e normalizar o comportamento sexual abusivo dos homens. Recentemente, debates tem sido levantados sobre a cultura do estupro e o que faz ela cultural. Primeiramente, cultura remete a comportamentos, crenças, hábitos que são naturalizados e, a partir disso interferem nas relações sociais. Agora, por que o estupro é cultural? Estupro é crime, mas isso não quer dizer que estupradores sejam necessariamente doentes, são pessoas comuns que carregam dentro de si culturas, tradições, inclusive uma noção sobre a relação de gênero. A mais de um milénio atrás a Igreja Ortodoxa criou o Patriarcado, em que os homens assumiram as dioceses, tal modelo foi adotado no Brasil quando ainda era uma colônia de Portugal, definia-se família quando se tinha um patriarca (como chefe de família), mulher e filhos. Inicia-se uma cultura machista em que a mulher é vista como um ser de segunda classe, suscetível a violência e sem perspectiva, visto que os costumes da época não permitiam a auto suficiência da mulher. Atualmente, um caso de abuso sexual é registrado a cada 11 minutos, pela maioria vezes, dentro de casa por homens que a vítima conhece. A estimativa é de 1 abuso por minuto. Um dos fatores que implicam na não efetivação da denúncia é a falta do atendimento especializado as vítimas, sendo que, o horário de atendimento da delegacia da mulher não atende as demandas, a mulher após ter sofrido a violência tem de recorrer ao atendimento da delegacia comum, estando mais exposta a discriminação e a culpabilização pelo ato criminoso, além disso, a DDM (delegacia da mulher) não possui atendimento psicológico especializado e nem treinamento específico, operando assim em um sistema não criado para atender as mulheres.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

CULTURA DO ESTUPRO: MULHER E FATORES PARA A CRÍTICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85658. Acesso em: 16 out. 2026.