COM A PALAVRA O GRUPO THE MANIFEST: HIP HOP, ÉTICA E AFETOS

Autores

  • Bóris Bonfanti
  • Dulce Mari da Silva Voss

Palavras-chave:

HIP, HOP, ÉTICA, AFETOS

Resumo

No percurso formativo que fiz durante o Curso de Especialização em Educação e Diversidade Cultural, percebo que percorri um caminho de descobertas e novos conhecimentos. Trago nesse texto um recorte da Monografia que marca o fechamento dessa etapa, onde busquei problematizar alguns discursos vigentes em nossa cultura ocidental sobre o Hip Hop e entender, a partir da pesquisa com o Grupo The Manifest, quem são os sujeitos que atuam nesse movimento, o que pensam e como se posicionam no meio social em que vivem e praticam sua arte, música e dança para compreender as novas configurações desse movimento na atualidade. O Hip Hop surgiu nos últimos anos da década de 1960, como práticas culturais dos jovens negros e latino-americanos nos guetos e ruas das grandes cidades. E, na década de 1970, fortaleceu-se nas áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque. Esse estilo musical possui quatro elementos básicos: o rap, o DJ, a breakdance e o graffiti. Outros elementos culturais que caracterizam esses grupos são as vestimentas e as gírias (OLIVEIRA, 2009). No Brasil, esse movimento começou a ter maior visibilidade, no final de década de oitenta, quando o ritmo musical chamado Rap tornou-se para os jovens das periferias urbanas um meio fecundo para mobilização e manifestação cultural dos problemas sociais existentes (BONFANTI, 2017). Na atualidade o movimento se modifica e a relevância de conhecer essas mudanças está na possibilidade de evidenciar as diferentes culturas juvenis que são marginalizadas por muitas pessoas que buscam um padrão cultural a ser seguido, ignorando o fato de sermos diferentes, tentando encontrar uma suposta igualdade que nunca vai acontecer. Para realizar essa reflexão sobre as reconfigurações dos movimentos Hip Hop na contemporaneidade, desenvolvi uma pesquisa qualitativa com integrantes do grupo o The Manifest da cidade de Bagé-RS, por meio de entrevistas. Adotei a perspectiva metodológica de análise do discurso, na qual é preciso se desprender do esperado, daquilo que, muitas vezes, parece obvio. Enxergar as palavras e as coisas como raras e únicas. Fugir de determinados discursos dados como verdades produzidas pelas práticas discursivas e não-discursivas (FISCHER, 2003). O The Manifest que foi criado em 2006, tem média vinte integrantes, entre homens e mulheres. Os sujeitos se diferenciam, entre 20 e 29 anos. Suas respectivas profissões no momento são: estudante, açougueiro, auxiliar de hotelaria, bailarino e um está desempregado. Todos moram na cidade de Bagé e moram na periferia da cidade, nos bairros São Judas, Cohab, Menino Deus, Castro Alves. E estão no movimento em média 10 anos. Percebi que o amor pelo Hip Hop que cada sujeito jovem que o pratica traz consigo foi um enunciado recorrente nos discursos dos entrevistados. Disseram que se identificam como dançarinos de Hip Hop. Mas eles são bem mais que isso. São trabalhadores, estudantes, pessoas que lutam para viver independentemente das dificuldades que enfrentam e isso tudo transforma suas vidas e culturas.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

COM A PALAVRA O GRUPO THE MANIFEST: HIP HOP, ÉTICA E AFETOS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85647. Acesso em: 16 out. 2026.