A PRESENÇA DE PROFESSORES HOMENS EM CLASSES DE EDUCAÇÃO INFANTIL Tensões e Resistências

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Adeilson de Paula
Maria Alice Rezende Gonçalves

Resumo

O presente artigo tem como objetivo investigar como se deu o processo de inserção e de permanência do docente do gênero masculino na Educação Infantil, uma vez que esse segmento da educação é um ambiente historicamente dominado por docentes mulheres. Assim, verificaremos as trajetórias profissionais dos docentes, compreendendo as razões que os levaram a decidir por essa área predominantemente feminina do magistério. Empregamos a metodologia quantitativa e qualitativa como caminho para a problematização do caso, que permitiu a análise dos dados coletados. Foram aplicados 2 (dois) questionários através da Plataforma Googledoc com questões fechadas e abertas realizadas com os docentes do gênero masculino por meio do compartilhamento de link do formulário pelas redes sociais Whatsapp, Facebook e por e-mail. Utilizamos nesse trabalho as percepções e considerações de 11 docentes participantes da pesquisa que atuam ou atuaram na Educação Infantil, em unidades educacionais do estado do Rio de Janeiro. Concluímos que a principal forma de entrada e permanência dos docentes do sexo masculino na Educação Infantil é a aprovação e posse nos concursos públicos. No entanto, é necessário construir uma Educação Infantil com equidade de gênero onde os homens sejam incluídos nesse segmento, como as experiências de nossos entrevistados demonstraram. 

Detalhes do artigo

Seção

DOSSIÊ: Interseccionalidade e educação: olhares teóricos e práticos

Biografia do Autor

Adeilson de Paula, PREFEITURA MUNICIPAL DE MENDES - RJ

MESTRE EM EDUCAÇÃO, CULTURA E COMUNICAÇÃO EM PERIFERIAS URBANAS – PPGECC - Universidade Estadual do Rio de Janeiro. 

Maria Alice Rezende Gonçalves , Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professora Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Possui estágio pós-doutoral no Centre dAnalyse et dIntervention Sociologiques da École des Hautes Études en Sciences Sociales (Bolsista Capes - 2011) e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2012). Bolsista do Programa de Incentivo a Produção Científica, Técnica e Artística - Prociência. Doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2002) e Mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990) Especialização lato sensu em: Sociologia Urbana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1981), em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008) e em Gênero e Sexualidade pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2016). Aperfeiçoamento em Relações Raciais e Cultura Negra pela Universidade Candido Mendes (2000). Curso Técnico em Design de Interiores pelo SENAC (2017). Atualmente é: docente do Departamento de Ciências Sociais e Educação da Faculdade de Educação da UERJ e no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas da FEBF/UERJ; Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UERJ e membro do Conselho Consultivo e Gestor do Museu Afro-digital Rio; coordenadora e conteúdista de disciplina Questões étnicas e de gênero (eletiva) do Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Consórcio CECIERJ/CEDERJ). Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro Brasileiras e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, políticas públicas, ensino superior, cidadania e cultura afro-brasileira.

Como Citar

A PRESENÇA DE PROFESSORES HOMENS EM CLASSES DE EDUCAÇÃO INFANTIL: Tensões e Resistências . Missões: Revista de Ciências Humanas e Sociais, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 120–143, 2023. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/Missoes/article/view/114071. Acesso em: 15 abr. 2026.

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