A BIOLOGIA COMO CIÊNCIA RESPONSÁVEL PELO RACISMO ESTRUTURAL: ASPECTOS HISTÓRICOS, CIENTÍFICOS E POLÍTICO-FILOSÓFICOS
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Resumo
O estudo aborda aspectos importantes sobre como a biologia foi utilizada para legitimar o racismo estrutural no Brasil. Foi realizada uma pesquisa sobre como as Teorias Raciais do Século XIX e seus desdobramentos utilizaram os aspectos biológicos para justificar uma suposta superioridade de grupos humanos sobre outros, sobretudo de brancos sobre não brancos. Para um completo entendimento foi necessário também abordar no estudo os aspectos históricos, como a escravidão, conferência de Berlim, colonialismo e imperialismo, situação europeia e brasileira em fins do século XIX e início do século XX. Os mitos da democracia racial e do fardo do homem branco ajudam a entender a legitimação da superioridade branca. Como embasamento teórico, filosófico e político, o artigo traz a biopolítica foucaultiana (poder e o racismo de Estado) Giorgio Agamben (vida nua), Achille Mbembe (necropolítica) e Judith Butler (precariedade), que com seus conceitos ajudam a entender e refletir sobre o tema e suas reverberações para a atualidade do racismo brasileiro. Como reflexões finais, trazemos que a biologia, enquanto ciência, não pode ser culpada, no entanto, é inegável que foi utilizada por intelectuais brasileiros para legitimação da superioridade branca e ajudou na instituição do racismo estrutural, individual e institucional no Brasil.
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