APOSTA CONTEMPORÂNEA DE PESQUISA-INTERVENÇÃO: IMPASSES ENTRE OBJETIVIDADE E SUBJETIVIDADE NAS CIÊNCIAS HUMANAS.

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Margareth Diniz

Resumo

No artigo a seguir buscamos apresentar questões atinentes à pesquisa em Ciências Humanas salientando o impasse acerca da objetividade/subjetividade em pesquisas que envolvem o sujeito. Por princípio não escamoteamos as tensões entre narração, documentação e testemunho; os enlaces entre retórica e prova, entre pesquisadores e seus objetos, e a distância que os permeia (se é que os permeia). Para tal, lançamos mão da pesquisa- intervenção em que o/a pesquisador/a é parte de seu objeto de pesquisa utilizando para tal o paradigma indiciário (Ginsburg,1986) como contraposição entre o relativismo pós-moderno (que foge à responsabilidade de averiguação logo após análise) e a tensão entre retórica e prova (pensando a relação de forças no âmbito metodológico e político-ideológico). Em acordo com o que propõe esse autor ( e em diálogo com pesquisadores/as que o comentam), iremos chamar à atenção para o caráter artesanal do ofício do pesquisador/a, fazendo em última instância uma crítica severa ao paradigma positivista na produção do conhecimento. Entenderemos, então, que a partir das pistas, indícios e sinais podemos elaborar possibilidades para as questões da pesquisa, sem anular a experiência vivenciada por quem participa e que se efetiva no corpo de quem resolve, no a posteriori, escrever sobre os processos.

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Como Citar
MEDRADO , A.; DINIZ, M. APOSTA CONTEMPORÂNEA DE PESQUISA-INTERVENÇÃO: . Missões: Revista de Ciências Humanas e Sociais, v. 6, n. 1, p. 102-120, 3 jun. 2020.
Seção
FONTES, MÉTODOS E ABORDAGENS NAS CIÊNCIAS HUMANAS: PARADIGMAS E PERSPECTIVAS
Biografia do Autor

Arthur Medrado, UFF

Doutorando no PPGCine da UFF. Graduado em Jornalismo e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP. Participou da mobilidade internacional na Universidade Nacional de La Plata - UNLP, na Argentina, em 2012 onde estudou "Comunicação Audiovisual". Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: audiovisual, comunicação, psicanálise, metodologias qualitativas e colaborativas e educação patrimonial. Com a metodologia Olhares (im)Possíveis, desenvolvida e aplicada durante a pesquisa de mestrado ficou em 3º Lugar no 6º Premio AMAERJ - Juíza Patrícia Acioli de Direitos Humanos (categoria práticas Humanísticas). Atua e pesquisa com interesse especial nas narrativas, poéticas e estéticas das linguagens do som e da imagem (fixa em em movimento) transitando entre produções com fins educativos e experimentais. Além disso trabalha com TV Educativa e produção de projetos culturais. É Membro do Grupo de pesquisa Caleidoscópio/ UFOP/CNPQ.

Margareth Diniz, UFOP

Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais, Psicanalista, Professora Associada I de Psicologia da UFOP, Coordenadora do Observatório de Pesquisa Educacional CAPES/FAPEMIG e Líder do Grupo de pesquisa Caleidoscópio/ UFOP/CNPQ. Coordenadora do Programa de Pesquisa/extensão Caleidoscópio. Participa dos grupos de pesquisa sobre formação e condição docente - PRODOC - UFMG e do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas e Educacionais sobre a Infância. (LEPSI-MG). Integra a Rede Internacional de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Política - RIPPEP - UFRGS. Participa da Associação Nacional de Pós-Graduação de Pesquisa em Educação (ANPEd) no GT 8 ? Formação docente. Integra o Programa de Pós-graduação - Mestrado e Doutorado em Educação - UFOP, pesquisando temas do campo Psicanálise-Educação, especialmente relacionados à subjetividade, à inclusão de pessoas com necessidades específicas, à diversidade de gênero e sexualidade e à diferença. Busca interrogar a formação docente e as práticas educativas inclusivas a partir da subjetividade do/a pesquisador/a, do/a formador/a e do docente, utilizando o método clínico, a conversação e o cinema como dispositivos de formação. Considerando a educação como campo relacional, investiga a relação educativa professor/a - aluno/a, o adoecimento e o mal-estar docente, especialmente de mulheres-professoras. Investiga a relação com o saber, com o conhecimento e com a diferença em crianças, adolescentes e docentes. Concluiu o Pós-doutorado na PUC-MG em 2017, com o tema "Educação Inclusiva: Perspectivas e desafios da política inclusiva em MG", sob supervisão de Amaury Carlos Ferreira e concluiu o pós-doutorado vinculado à Faculdade de Educação - UFMG, por meio do edital PNPD - CAPES 2018-2019, com o tema "Princípios e dispositivos teórico-metodológicos para a formação docente e subjetividade", sob supervisão de Marcelo Ricardo Pereira.

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