Determinantes socioeconômicos e impactos à saúde decorrentes do cultivo do tabaco por agricultores familiares no sul do Brasil

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DOI:

https://doi.org/10.64085/demter.v1i1.119039

Palabras clave:

Agricultura familiar, Fumo, Saúde do trabalhador, Tabaco

Resumen

O trabalho analisa as condições socioeconômicas e ambientais que influenciam o ingresso e a permanência de famílias agricultoras na cadeia produtiva do tabaco no oeste de Santa Catarina, além dos impactos à saúde relatados por quem cultiva, colhe e classifica o fumo. A pesquisa é qualitativa, baseada em revisão de literatura e entrevistas com quinze famílias em cinco municípios, agendadas por meio de sindicatos rurais. As entrevistas ocorreram nas propriedades, geralmente nos galpões de secagem. Os principais motivos para cultivar tabaco são econômicos, ambientais e sociais. A renda obtida é considerada superior à de outros cultivos, mesmo em pequenas áreas (1 a 5 hectares), com uso exclusivo da mão de obra familiar. As empresas fornecem sementes, insumos e garantem compra e preço, o que permite investimentos. Ambientalmente, o cultivo exige menos agrotóxicos do que outros cultivos como o milho. Socialmente, os agricultores relatam maior liberdade para lazer e viagens, ao contrário de atividades como suinocultura e bovinocultura de leite. Apesar dos benefícios, há relatos de problemas de saúde causados pelo contato com folhas molhadas de tabaco, especialmente no período orvalhado, gerando sintomas de intoxicação. Também se destaca a penosidade do trabalho nesse período.

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Publicado

2025-12-18

Número

Sección

Artigos - Agricultura Familiar e Ruralidades