RAINHAS NEGRAS DO CLUBE 24 DE AGOSTO: IDENTIDADES E REPRESENTAÇÕES DE MULHERES NA FRONTEIRA BRASIL-URUGUAI

Autores

  • Shirlei Rosa
  • Gabriela Oliveira de Aveiro
  • Karina Constantino Brisolla
  • Giane Vargas Escobar

Palavras-chave:

CLUBE, SOCIAL, NEGRO, RAINHAS, NEGRAS, IDENTIDADES, REPRESENTAÇÕES

Resumo

O presente trabalho aponta os resultados iniciais do projeto Rainhas Negras do Clube 24 de Agosto: identidades, representações e vivências de mulheres de um clube social negro na fronteira do Brasil-Uruguai. A investigação articula questões de gênero, raça e classe com o objetivo de realizar uma análise cultural (Guerra, 2010), em que são centrais as rainhas dos certames de beleza realizado pelo Clube 24 de Agosto, na cidade de Jaguarão, Rio Grande do Sul, ao longo de sua trajetória de um século de existência. A pesquisa ancora-se na teoria da interseccionalidade, termo cunhado por Kimbele Crenshaw, em 1989, com vistas a discutir qual era o lugar que as Rainhas do 24 ocupavam no interior da sociedade negra e como se davam as relações de gênero, raça e classe no interior do clube, bem como com outras sociedades. Essa teoria, mesmo sem ser utilizada com esse nome já era uma prática nos estudos e reflexões de Davis (2016) e Gonzalez (Rattz e Rios, 2010) no início dos anos de 1980. Essa investigação alia-se às teorias preconizadas por intelectuais negras como Sueli Carneiro, Angela Davis, Kimberlé Crenshaw, Lélia Gonzalez, bell hooks, Neusa Santos Souza, o que nos permitirá perceber as várias formas de opressões combinadas ou entrecruzadas no interior do clube negro e na sociedade jaguarense. Essa investigação ancora-se, ainda, nos conceitos de identidade e representação de Stuart Hall que preconiza uma não fixação das identidades, já que essas mulheres certamente constituem um grupo que não é homogêneo, por isso a importância de se perceber as diferentes identidades negras forjadas no interior da agremiação negra e que constituem uma forma específica de ser mulher na sociedade jaguarense. O Clube 24 de Agosto completa 100 anos de existência, resistência e resiliência no ano de 2018 e as histórias das mulheres que conquistaram títulos nos certamente de beleza do clube social negro de Jaguarão são educativas, pedagógicas e importantes, além disso, em sua maioria fazem parte de um grupo específico de mulheres que durante muito tempo tiveram suas trajetórias e narrativas negligenciadas pela historiografia oficial e/ou apropriadas e contadas sob o ponto de vista de pesquisadores não negros, o que também se constitui em importante registro. Essa é uma oportunidade de, a partir desse projeto, assumir um lugar de fala, lançando um outro olhar e uma outra perspectiva de narrativa, sob o pensamento de pesquisadoras negras, que também se colocam como sujeitas de enunciações.

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Publicado

2020-03-03

Como Citar

RAINHAS NEGRAS DO CLUBE 24 DE AGOSTO: IDENTIDADES E REPRESENTAÇÕES DE MULHERES NA FRONTEIRA BRASIL-URUGUAI. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98866. Acesso em: 23 abr. 2026.