AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DE ITRACONAZOL MANIPULADO EM FARMÁCIAS GAÚCHAS

Autores

  • Alcides Parisotto
  • Cheila Denise Ottonelli Stopiglia

Palavras-chave:

SPOROTHRIX, SCHENCKII, ITRACONAZOL, ESPOROTRICOSE

Resumo

A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo dimórfico pertencente ao complexo Sporothrix schenckii (BARROS et al., 2011). Essa micose tem como característica ser uma doença ocupacional, que acomete agricultores, veterinários, jardineiros ou pessoas que estão em constante contato com o solo e/ou vegetais, pois o fungo está presente na matéria em decomposição, bem como, em galhos e troncos de árvores e espinho de vegetais (MONTENEGRO et al., 2014). Em humanos, a esporotricose pode manifestar-se na forma cutânea, linfocutânea e disseminada (SHIRAISHI et al., 1999). Nos animais, principalmente em gatos, manifesta-se por lesões múltiplas, principalmente com comprometimento mucoso (GREMIÃO et al., 2015). Nos últimos anos, essa micose tornou-se endêmica no estado do Rio de Janeiro. Em 2015, a Secretaria de Saúde tinha registro de 3.253 casos em gatos e, no ano seguinte, foram registrados 13.536 casos em animais, e 580 em humanos (FIOCRUZ 2017). No Rio Grande do Sul, a esporotricose é de extrema importância, por tratar-se da micose subcutânea de maior incidência no estado (DA ROSA et al., 2005).O itraconazol é o fármaco de escolha para o tratamento da esporotricose (FIOCRUZ 2017). Devido ao menor custo em relação aos medicamentos de referência, a forma farmacêutica manipulada do itraconazol vem sendo procurada para o tratamento dessa doença (REZENDE et al., 2003). Porém, existem registros clínicos de resistência de isolados do complexo S. schenckii ao itraconazol (GREMIÃO ID et al., 2015). Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a atividade antifúngica in vitro de cápsulas manipuladas de itraconazol obtidas em diferentes farmácias magistrais do estado do Rio Grande do Sul frente a dois isolados do complexo S. schenckii. As cápsulas foram adquiridas em três diferentes farmácias de manipulação de sete cidades do estado do Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Caxias do Sul, Passo Fundo, Ijuí e Uruguaiana. O estudo foi realizado através do método de microdiluição em caldo com as amostras do complexo S. schenckii (201679 ATCC e Santa Casa I), segundo o protocolo M38-A2 do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, 2008). Os ensaios foram realizados em microplacas de 96 poços, utilizando diluições seriadas, tanto das cápsulas manipuladas, quanto do fármaco de referência, na faixa de concentração de 16 a 0,03 µg/mL. As Concentrações Inibitórias Mínimas (CIM) obtidas para o isolado S. schenckii 201679 ATCC foram de 0,25 a 1 µg/mL para as cápsulas manipuladas e de 0,5 µg/mL para o medicamento de referência, enquanto que o isolado Santa Casa I apresentou CIM de 0,5 a 1 µg/mL para as cápsulas manipuladas e de 1 µg/mL para o medicamento de referência. Dessa forma, demonstrou-se que as cápsulas de itraconazol analisadas apresentaram resultados de eficácia in vitro frente ao complexo S. schenckii semelhantes ao efeito do fármaco de referência, garantindo-as como fonte segura para o tratamento da esporotricose.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2020-03-03

Como Citar

AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIFÚNGICA DE ITRACONAZOL MANIPULADO EM FARMÁCIAS GAÚCHAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98810. Acesso em: 26 abr. 2026.