AS RELAÇÕES SUL-AMERICANAS DO URUGUAI: POLÍTICA EXTERNA COMPARADA DOS GOVERNOS VÁZQUEZ E MUJICA (2005-2015)

Autores

  • Luis Sanchez
  • Rafael Balardim

Palavras-chave:

Política, externa, Uruguai, Frente, Ampla

Resumo

Após uma década de aplicação das políticas neoliberais, promovidas pelo Consenso de Washington, as nações sul-americanas votaram em partidos que na década de 2000 faziam oposição a esses programas. Uma dessas nações é o Uruguai, onde a Frente Ampla, coalizão de esquerda formada por vários partidos, conquistou o governo e já está no seu terceiro mandato consecutivo. Nesse sentido, estudamos de forma comparativa a agenda externa dos dois primeiros governos frenteamplistas, de Tabaré Vázquez (2005-2010) e de Pepe Mujica (2010-2015), buscando compreender os elementos de continuidade e mudanças na agenda externa do governo Mujica. Notou-se que, a partir da chegada da Frente Ampla, a agenda externa uruguaia começou a se distanciar do regionalismo aberto, identificada com um interesse mais global, para inserir-se em uma estratégia mais regional. Assim, quando Vázquez assumiu o governo já se notou uma nova postura com relação à América Latina, restabelecendo-se relações com Cuba e firmando de acordos com a Venezuela, por exemplo. Porém, também foi possível notar na política externa do primeiro dirigente da Frente Ampla uma alternância entre o fortalecimento do MERCOSUL e o aprofundamento das relações com os Estados Unidos. É importante salientar que durante este governo se suscitaram momentos de desavenças com alguns vizinhos, o principal problema foi com a Argentina pelo conflito das papeleiras e com o Brasil por conta das tratativas de um Tratado de Livre Comercio que Vázquez estava negociando com os Estados Unidos. Em março de 2010, Mujica (2010-2015) assume a presidência uruguaia dando continuidade a muitas iniciativas do governo anterior, porém, com maior ênfase nas questões relacionadas ao MERCOSUL. Além disso, foi possível verificar uma maior coesão na formulação e execução da política externa, graças à quase perfeita sintonia entre presidência, ministérios e embaixadas. O contexto em que se deu a atuação do Uruguai durante esse período se caracterizou por um estancamento no MERCOSUL, tanto nas relações externas quanto no processo de integração. Durante a presidência pro tempore do Uruguai no MERCOSUL os objetivos propostos visavam ir além de uma zona de livre comércio, dando um papel mais ativo ao Parlamento do MERCOSUL. Além disso, Mujica foi favorável à incorporação de novos sócios no bloco como meio para reduzir as assimetrias de poder entre os membros. As relações com a Argentina, depois de uma melhora durante esta etapa, voltaram a deteriorar-se incidindo de forma negativa na agenda binacional. Neste sentido, Mujica considerava essencial melhorar as relações com esse país. Com o outro principal parceiro, o Brasil, as relações foram marcadas por uma consistente política de cooperação, beneficiada pela boa relação pessoal entre ambos os presidentes. Assim, após analisarmos de forma comparada a agenda externa dos dois primeiros governos frenteamplistas, pudemos constatar que o segundo presidente da Frente Ampla deu continuidade à prioridade dada pelo seu predecessor às relações com a América Latina. Contudo, notou-se também que Mujica empreendeu maiores esforços para o desenvolvimento das relações Sul-Sul, enquanto que Tabaré Vázquez buscou o desenvolvimento do chamado regionalismo aberto inclusive ponderando um TLC com os EUA.

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Publicado

2020-03-03

Como Citar

AS RELAÇÕES SUL-AMERICANAS DO URUGUAI: POLÍTICA EXTERNA COMPARADA DOS GOVERNOS VÁZQUEZ E MUJICA (2005-2015). Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 9, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/98189. Acesso em: 1 jun. 2026.