USO DE PLANTAS MEDICINAIS POR HIPERTENSOS ASSISTIDOS EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE URUGUAIANA

Autores

  • Vanessa Brum
  • Paola Leonetti Pijuán
  • Maria Fernanda de Moura Leão
  • Karina Braccini Pereira
  • Fabiane Moreira Farias

Palavras-chave:

plantas, medicinais, patologia, hipertensão, medicamentos, tratamento

Resumo

As plantas medicinais são utilizadas para o tratamento e prevenção de doenças ou mesmo pelo sabor agradável. É um habito passado através das gerações e ainda é muito frequente. Tal prática é motivada pelo fácil acesso às plantas e pela crença de que o que é natural, não pode trazer prejuízos à saúde. Entretanto, o emprego de plantas nas suas diferentes preparações (chá, tintura, no chimarrão, etc) concomitantemente com o uso dos fármacos pode interferir no tratamento de algumas patologias, visto que alguns constituintes químicos das espécies vegetais podem alterar os processos farmacocinéticos e farmacodinâmicos, alterando os efeitos esperados dos medicamentos. Além disso, o uso de ervas medicinais deve ser cauteloso e orientado, considerando a falta de informações sobre composição química, atividades farmacológicas e/ou biológicas e os dados sobre a toxicidade das mesmas. Com base nesses fatos, o objetivo deste trabalho é investigar o uso de plantas medicinais por indivíduos hipertensos atendidos pela unidade básica de saúde do Complexo Escolar Elvira Ceratti(CAIC) no município de Uruguaiana. Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Pampa (437.171). Foram realizadas entrevistas individuais com 26 usuários da unidade, no período entre abril a setembro de 2016. Os entrevistados responderam a um questionário no qual foram recolhidos os dados sobre perfil socioeconômico, doenças diagnosticadas e autodeclaradas, consumo e armazenamento de medicamentos e uso de espécies vegetais. A análise dos resultados permitiu observar que 65,4% dos entrevistados relataram sentir frequentes dores de cabeça e 30,8% dos participantes eram hipertensos. Dos indivíduos hipertensos participantes, 50% afirmaram apresentar dores de cabeça. As classes de medicamentos mais consumidas foram os anti-inflamatórios não esteroides e anti-hipertensivos, sendo que os fármacos mais empregados foram captopril (2), enalapril (2) e hidroclorotiazida (2). Em relação às plantas medicinais, a marcela (19), a erva doce (8), o gengibre (8) e o boldo (7) foram as mais citadas para o tratamento de problemas digestivos e respiratórios. Uma observação importante é que uma parte dos hipertensos relatou sentir dores de cabeça frequentes, o que pode indicar níveis pressóricos elevados ou oscilantes, sugerindo que o tratamento medicamentoso não está apresentando a eficácia esperada. De acordo com a literatura cientifica, algumas espécies vegetais podem interferir na ação dos medicamentos anti-hipertensivos, reduzindo sua capacidade de controlar a pressão arterial. Entre tais espécies podemos citar a marcela, o gengibre e o boldo, que constituem as plantas mais consumidas entre os entrevistados. Entretanto, não é possível afirmar que as plantas medicinais são as responsáveis pela ineficácia dos anti-hipertensivos no controle da pressão arterial, mas sim, que podem contribuir para a redução do efeito esperado. A adesão correta ao tratamento também deve ser considerada (respeito aos horários e doses prescritas, etc), além do uso de outros medicamentos. Desta forma, é necessário que o grupo de assistidos da unidade básica CAIC receba informações dos profissionais da saúde sobre o uso de plantas e as possíveis interações medicamentosas.Assim, acredita-se que os dados deste trabalho possam contribuir e incentivar a execução de futuros projetos com esse objetivo.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

USO DE PLANTAS MEDICINAIS POR HIPERTENSOS ASSISTIDOS EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE URUGUAIANA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85064. Acesso em: 17 abr. 2026.