ASPECTOS ULTRASSONOGRÁFICOS DE MUCOCELE BILIAR EM CÃO - RELATO DE CASO.
Palavras-chave:
Vesícula, Biliar, Mucocele, UltrassonografiaResumo
A mucocele biliar é uma distensão mucinosa da vesícula biliar que ainda não tem definida a sua etiologia. Comum em cães de meia-idade a idosos, raças como Pastores de Shetland, Cockers Spaniels e Schnauzer miniatura possuem maior predisposição. Estudos relatam que as causas primárias são diminuição da motilidade, estase biliar, aumento na absorção de água e hipertrofia da mucosa. Normalmente as manifestações clínicas são inespecíficas, podendo ser assintomática quando há obstrução incompleta do fluxo biliar, em quadros de obstrução completa, pode apresentar fezes acólicas, vomito, anorexia, desidratação, poliúria, polidpsia, dor abdominal e icterícia. Em casos mais graves, a vesícula pode romper levando a um quadro de peritonite séptica. É diagnosticada por exame ultrassonográfico, entretanto, poucos trabalhos foram descritos com as características ultrassonográficas de cães com mucocele. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de mucocele biliar em cão. Um canino da raça pinscher, fêmea, com idade de 7 anos, chegou no setor de Diagnóstico por Imagem do Hospital Veterinário da UNIPAMPA para avaliação ultrassonográfica. O proprietário relatou que o animal apresentava flatulência, fezes pastosas, amareladas e fétidas, polidpsia e polifagia. No exame clinico, não se observou nenhuma alteração significativa, assim como no exame bioquímico na análise das enzimas hepáticas (FA e ALT). Foi encaminhado para ultrassonografia para avaliar possíveis alterações no trato gastrointestinal, foi utilizado uma probe linear de frequência de 7 MHz, a abordagem foi realizada em um corte transversal, caudal ao processo xifoide. A vesícula apresentou parede com contorno regular e leve espessamento focal na região mais caudal, apresentando uma camada dupla, consistente com edema. Encontrava-se preenchida por conteúdo anecóico periférico e grande quantidade de material ecogênico séssil central e imóvel a mudança de decúbito. Os achados ultrassonográficos de mucocele são variáveis sendo os principais: vesícula biliar distendida e assimétrica com conteúdo ecogênico imóvel, espessamento da parede, podendo apresentar borda dupla. Ultrassonograficamente o conteúdo interno da vesícula biliar acometida por mucocele é classificado em uma escala de 5 tipos: Tipo 1, conteúdo ecogênico e imóvel; Tipo 2, padrão estrelado incompleto; Tipo 3, padrão estrelado típico; Tipo 4, padrão kiwi combinado ao estrelado; Tipo 5, padrão kiwi com conteúdo ecogênico central residual. Esta classificação não tem correlação com o quadro clinico, avalia o estágio de evolução e o risco de ruptura da vesícula biliar, quanto maior a classificação, maior o risco de ruptura. No caso relatado o animal apresentava padrão Tipo 3. Quadros crônicos, com ruptura, observa-se descontinuidade da parede, presença de gás no fígado e perda da definição de detalhes do abdômen devido a peritonite. O diagnóstico é confirmado através dos achados ultrassonográficos, exames bioquímicos e hematológicos nos quais se observa índices elevados de enzimas hepáticas e quadros de anemia. A sintomatologia inespecífica nos casos de mucocele biliar dificulta seu diagnóstico, no caso relatado, o animal não apresentava alterações nos níveis séricos das enzimas hepáticas, sendo o achado ultrassonográfico de extrema relevância para fechar o diagnóstico, pois o padrão tipo 3 da vesícula biliar, não sendo considerado o mais grave, sugeriu o acompanhamento clinico do animal.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ASPECTOS ULTRASSONOGRÁFICOS DE MUCOCELE BILIAR EM CÃO - RELATO DE CASO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 8, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/85063. Acesso em: 17 abr. 2026.