SINAIS CLÍNICOS DE RISCO DE AUTISMO EM BEBÊS
Palavras-chave:
psicanálise, autismo, sinais, clínicosResumo
Este trabalho tematiza a clínica do autismo em contextos de detecção e intervenção precoces. Para tal, objetiva apresentar os sinais Préaut, sinais clínicos indicativos de risco de autismo em bebês, através de revisão crítica da literatura. Esta foi realizada mediante consulta a material bibliográfico (livros e artigos científicos) que contemplassem as palavras-chave "autismo", "bebês" e "psicanálise". Em psicanálise, pode-se pensar o autismo como a tradução da não instauração de certas estruturas mínimas, necessárias ao estabelecimento do aparelho psíquico. A ausência dessas estruturas pode acarretar déficits cognitivos que, quando irreversíveis, são considerados deficiências. Porém, a clínica com bebês ensina que existem, desde muito cedo, sinais indicativos de que essas estruturações não estão se fazendo. Nesse contexto, os sinais Préaut foram idealizados com o objetivo de identificar precocemente transtornos de comunicação que podem levar a uma montagem autista, durante os dois primeiros anos da criança. Eles podem ser verificados no 4º e no 9º mês do bebê, conforme o seguinte: 1) O bebê não procura se fazer olhar pela sua mãe (ou seu substituto), na ausência de solicitação da parte dela; e 2) O bebê não busca a troca jubilatória com a sua mãe (ou seu substituto), na ausência de solicitação da parte dela. Ambos os sinais, que podem ser observados no exame médico regular da criança, apontam à relação do bebê ao Outro, e comunicam sobre a qualidade desse laço. Nesse sentido, o não-olhar do bebê pode indicar dificuldades na instauração da relação especular, fundamental para a constituição psíquica e a construção da imagem corporal. Por sua vez, a ausência de trocas jubilatórias iniciadas pelo bebê pode indicar falhas no estabelecimento do terceiro tempo do circuito pulsional, ou seja, de um ciclo de satisfação entre o bebê e o outro. Vale ressaltar que o potencial prognóstico dos sinais é válido quando ambos são observados; a presença de apenas um deles não caracteriza risco de evolução autista. Para o bebê, o fator tempo é fundamental, visto que está situado em um momento em que estão ocorrendo as primeiras inscrições simbólicas e as primeiras aquisições instrumentais. A intervenção realizada nesse período, portanto, incide de forma bastante diferente do que na criança pequena, cujas estruturas já estão mais consolidadas. Nesse sentido, a apreensão dos aspectos simbólicos da relação do bebê com os cuidadores pode contribuir significativamente para o encaminhamento e a intervenção precoces, isto é, antes da fixação sintomática.Downloads
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Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
SINAIS CLÍNICOS DE RISCO DE AUTISMO EM BEBÊS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 4, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/81507. Acesso em: 19 abr. 2026.