PRIMEIRO FÓRUM DA COMUNIDADE SURDA DE ALEGRETE: PROBLEMAS, DESAFIOS E PROPOSTAS

Autores

  • Allison Aquino
  • Roberta dos Santos Messa
  • Ana Paula Gomes Lara

Palavras-chave:

Inclusão, LIBRAS, Comunicação, Acessibilidade

Resumo

O povo surdo, diferente da população ouvinte, possui sua identidade, cultura e língua própria, a Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS, que mesmo reconhecida como língua oficial do Brasil ainda é desconhecida por grande parte da população brasileira, necessitando de diversas ações para que sua importância seja realmente compreendida, haja vista que para o exercício pleno da cidadania é direito do sujeito surdo o acesso à comunicação no trabalho, serviços, lazer, meio jurídico, educação e saúde. Nesse ínterim, também é recorrente à preocupação com a educação de crianças surdas, pois diversos estudos indicam a importância do contato com a LIBRAS como primeira língua, para que possam aprender e se desenvolver com cidadãos. Para haver transformações, é essencial o envolvimento da família, escola, sociedade e dos próprios surdos para discutir problemas, desafios e propostas. Com o objetivo de evidenciar problemas e desafios na comunicação que dificultam a participação do surdo na sociedade, desenvolveu-se a primeira edição do Fórum da Comunidade Surda de Alegrete, colocando em pauta temas como: Direitos humanos e acessibilidade, importância da Língua Brasileira de Sinais, situação atual dos surdos do município, o papel do intérprete de LIBRAS, cultura e identidade surda e educação bilíngue. O Fórum teve início em julho de 2015, com um encontro mensal, no Campus Alegrete da UNIPAMPA, onde palestrantes surdos apresentam seus relatos e experiências de vida para um público de professores, estudantes e aproximadamente 25 surdos que residem em Alegrete e outras cidades da fronteira oeste, proporcionando um espaço para os próprios surdos apresentarem suas propostas para tornar Alegrete uma cidade inclusiva e acessível para a comunidade surda. Após a realização dos primeiros encontros do Fórum, a comunidade surda relatou diversos problemas no município, como a falta de intérprete de LIBRAS para o atendimento em bancos, hospitais, escolas e meio jurídico, além do baixo nível de escolaridade dos surdos de Alegrete, onde a maioria possui somente as séries iniciais e apenas um possui ensino médio completo, pois a cidade não possui escola para surdos e intérprete nas escolas, o que causa a evasão escolar e obriga diversos surdos a mudar-se para outras cidades, como Santa Maria e Porto Alegre, para buscar uma educação voltada para o aprendizado de alunos surdos. Durante a realização do Fórum, os resultados surgiram da participação de um elevado número de professores, interessados em proporcionar uma educação inclusiva, assim como a proposta de projetos de alfabetização e interesse de diversos surdos em retornar à sala de aula em 2016, além do interesse na criação de uma associação de surdos, espaço que pode ser utilizado para o debate e divulgação à comunidade sobre o respeito e importância da LIBRAS e a quebra de barreiras que dificultam a inclusão do surdo na sociedade alegretense, que ainda é voltada, em grande parte, para a população ouvinte da cidade. Portanto, é de extrema importância a realização do Fórum, para a quebra de barreiras e preconceitos, além de proporcionar melhor qualidade de vida para a população surda da cidade.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Publicado

2020-02-14

Como Citar

PRIMEIRO FÓRUM DA COMUNIDADE SURDA DE ALEGRETE: PROBLEMAS, DESAFIOS E PROPOSTAS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 7, n. 3, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/81460. Acesso em: 17 abr. 2026.