ESTUDO DE TOXICIDADE DA ADMINISTRAÇÃO AGUDA DA FRAÇÃO BRUTA DAS FOLHAS DE CELTIS IGUANAEA EM ROEDORES
Palavras-chave:
Celtis, iguanaea, plantas, medicinais, toxicidadeResumo
Pertencente à família Ulmaceae, Celtis iguanaea é uma planta conhecida popularmente como esporão-de-galo. Pela população é usada terapeuticamente para dores no corpo e no peito, reumatismo, asma, cólica, má digestão e como diurético. O uso de plantas medicinais para o tratamento de doenças é uma prática popular muito comum, porém ocorre com pouco conhecimento sobre seus efeitos farmacológicos e tóxicos. Assim, são importantes estudos para confirmar a segurança dessas substâncias. Por isso, o objetivo deste trabalho foi avaliar a toxicidade renal e hepática, através de parâmetros bioquímicos, da fração bruta das folhas de C. iguanaea frente à administração aguda em ratos Wistar. A coleta das folhas de C. iguanaea foi realizada no município de Jaboticaba, RS. Realizou-se uma infusão com as folhas e o extrato aquoso resultante foi liofilizado para obtenção do pó. Foram utilizados ratos adultos Wistar obtidos do Biotério Central da Universidade Federal de Santa Maria e o presente projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Bem Estar Animal da UFSM, nº 103/2013. Este estudo de toxicidade aguda foi desenvolvido seguindo as orientações da OECD 423. Os animais receberam por gavagem uma única dose de 2000 mg/kg de C. iguanaea, dissolvida em água destilada. O grupo controle foi tratado com água destilada (10 mL/kg). Após 14 dias, os animais foram submetidos a um jejum de 8 horas, anestesiados e amostras de sangue foram coletadas por punção cardíaca. Após centrifugação, o soro foi utilizado para analisar os seguintes parâmetros bioquímicos: colesterol total (COL), níveis de ureia (URE), creatinina (CRE), atividades da aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT), por meio de kits comerciais (Bioclin Laboratorial Kits - Brasil). Como parâmetro de toxicidade, foi analisada a atividade da enzima ácido delta-aminolevulínico desidratase (δ-ALA-D) por mensuração do produto porfobilinogênio nos tecidos renal e hepático. A análise estatística foi realizada por ANOVA de uma via, seguida por Tukey como teste post-hoc. Valores de p < 0,05 foram considerados como significantes. Em comparação com o grupo controle, o nível de ureia mostrou-se elevado no grupo tratado com a planta. A ureia é um marcador de disfunção renal e, sendo assim, a planta testada tem característica de causar danos a esse sistema. Já em relação à creatinina, não houve diferença entre os grupos. Os animais tratados apresentaram uma diminuição da ALT, mostrando um possível efeito hepatoprotetor da planta, visto que as elevações de ALT e AST são significativas de lesão hepática. Os níveis de AST e COL não apresentaram diferenças significativas entre os grupos. Quando mensurada a atividade da enzima δ-ALA-D no tecido hepático e renal, os resultados não apresentaram diferença significativa entre o grupo controle e o tratado com o extrato bruto das folhas de C. iguanaea. Assim, quando a C. iguanaea é administrada em dose única, sugere-se que a planta apresenta um efeito hepatoprotetor e acredita-se que os rins são os órgãos-alvo de toxicidade desta planta. Porém, mais estudos são necessários para comprovar os riscos de toxicidade do uso dessa planta e avaliar seus benefícios farmacológicos.Downloads
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Publicado
2020-02-12
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ESTUDO DE TOXICIDADE DA ADMINISTRAÇÃO AGUDA DA FRAÇÃO BRUTA DAS FOLHAS DE CELTIS IGUANAEA EM ROEDORES. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 4, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/68495. Acesso em: 19 abr. 2026.