ATIVIDADE IN VITRO DA ENZIMA FOSFATASE ALCALINA DE EISENIA FOETIDA FRENTE AO ÍON ZINCO E AO HERBICIDA GLIFOSATO
Palavras-chave:
pesticidas, marcadores, bioquímicos, minhocas, toxicidadeResumo
As minhocas são organismos de escolha na busca por espécies não mamíferas para a avaliação de impactos devido à liberação de compostos de origem antropogênica no ambiente terrestre. A Eisenia foetida é mundialmente utilizada como uma espécie modelo em testes de ecotoxicidade para biomonitorar e determinar o risco ecológico de metais pesados e pesticidas em solos contaminados. O uso de marcadores bioquímicos como a metaloenzima fosfatase alcalina (FALC) é útil em estudos ecotoxicológicos devido a sua sensibilidade a diversos íons metálicos. Tem-se demonstrado que o glifosato, pode atuar como um agente quelante, associando-se de forma vigorosa com cátions metálicos bivalentes e trivalentes, caracterizando-se como uma molécula com elevada capacidade de formação de complexos estáveis, o que pode afetar a biodisponibilidade, a toxicidade e a bioacumulação de metais no meio ambiente. Em vista deste fato, este estudo teve por objetivo investigar o efeito in vitro do íon zinco e sua interação com o herbicida glifosato sobre a enzima FALC da oligoqueta Eisenia foetida. Para os ensaios, as minhocas foram individualmente homogeneizadas em tampão Tris-HCl (0,1 Mol L-1, pH 7,6) em quatro partes (1:4 peso:volume). Posteriormente, o homogeneizado foi centrifugado a 3.000 g por 30 min resultando em um sobrenadante (S1) que foi utilizado para a medição das atividades enzimáticas. Então, foram realizadas diluições seriadas, tanto para o herbicida glifosato 480 g L-1, como também para o cloreto de zinco. Os sobrenadantes (S1) de Eisenia foetida foram incubados a 37º C com as soluções de glifosato, isoladamente ou em combinação com o íon zinco, durante 10 minutos. Amostras contendo o S1 e água deionizada sem a presença dos compostos foram utilizadas como controle. Os estudos foram conduzidos com o S1 de quatro minhocas e cada experimento foi repetido três vezes em triplicata. Neste método analítico, adicionou-se 800 μL do reagente contendo dietanolamina 1 mmol L-1 pH 9,81; cloreto de magnésio 0,5 mmol L-1 e 200 μL do reagente p-nitrofenilfosfato 10 mmol L-1 em um tubo de ensaio. Em seguida, adicionou-se 20 μL da amostra realizando-se a leitura a 37 ºC em 405 nm. A atividade enzimática, foi então mensurada cinéticamente e expressa como µmol p-nitrofenol mg-1 proteína min-1. De acordo com os resultados, foi demonstrado que o efeito íon zinco nas concentrações de 5 a 500 µmol L-1 sobre a enzima FALC foi melhor representado pela equação polinomial de 3ª ordem (y = -1,62 + 29,27*x 11,36*x2 + 1,15*x3; R2 = 0,94; F = 53,52; P < 0,0001). Por outro lado, quando a enzima foi exposta às mesmas concentrações de zinco na presença de 0,96 µg µL-1 de glifosato, o mesmo efeito não foi observado, não havendo significância em nenhum modelo polinomial. Concentrações de zinco acima de 250 µmol L-1 inibem significativamente (ANOVA, F = 275,3; P < 0,0001) a atividade da enzima FALC. A presença de glifosato no ensaio impede a inibição da enzima FALC pelo zinco, não diferindo estatisticamente do controle (ANOVA, F = 0,063; P > 0,9). Esses achados podem estar relacionados com a ação quelante do agroquímico.Downloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ATIVIDADE IN VITRO DA ENZIMA FOSFATASE ALCALINA DE EISENIA FOETIDA FRENTE AO ÍON ZINCO E AO HERBICIDA GLIFOSATO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/68003. Acesso em: 3 maio. 2026.