O ENVELHECIMENTO E A MASCULINIZAÇÃO RURAL REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Autores

  • Bruna de Castro
  • Nicéli de Lima Librelotto
  • Isabelle Nunes Miiller
  • Claudete Izabel Funguetto

Palavras-chave:

dinâmica, demográfica, masculinização, mulher, envelhecimento, rural, êxodo

Resumo

Na estrutura familiar tradicional, as mulheres têm um papel de dependência e submissão, ou seja, um papel reprodutivo de esposa e mãe. Em razão do distanciamento feminino do processo sucessório de posse da terra, que tradicionalmente é masculino, e enfrentando dificuldades para atingir um padrão de vida autônoma, as jovens são forçadas a procurarem um emprego, e consequente, salário fora da propriedade da família. O presente trabalho teve por objetivo analisar o processo de envelhecimento e masculinização da população no ambiente rural brasileiro. Para alcançar esse propósito foram feitas pesquisas bibliográficas utilizando diferentes fontes, tais como dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, artigos científicos, dissertações de mestrado e teses de doutorado desenvolvidas sobre o tema, em distintas regiões do país. O estudo faz parte das ações do Programa Mulheres pescadoras do Pampa, já que o grupo de pescadores e pescadoras artesanais são classificados como agricultores familiares, estando o projeto vinculado à disciplina de Sociologia e Cooperativismo Rural, do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pampa. Após análise das referências, ficou evidenciada que a relação entre êxodo rural e acesso aos serviços básicos da cidadania é decisiva: os indicadores educacionais do meio rural brasileiro são ainda mais precários do que os do meio urbano, figurando entre os piores da América Latina. Da mesma forma como ocorreu em outros países, o envelhecimento e a masculinização da população rural no Brasil são claramente notados, sendo observados com maior intensidade a partir da década de 1970. Os resultados das pesquisas revelaram que o envelhecimento e a masculinização do ambiente rural estão associados principalmente à migração do jovem, por questões hierárquicas e por oportunidades de estudo e trabalho no meio urbano. A migração da mulher se deu, sobretudo, pela falta de reconhecimento de seu trabalho e influência da própria família. Foi observado haver preocupação, por parte do âmbito acadêmico, em contemplar este fenômeno, visto que a literatura se faz recorrente, sugerindo que novas discussões e programas e/ou projetos deveriam ser estimulados para minimizar e até mesmo reverter essa situação. A ausência de jovens e a desproporção entre os sexos acabou por comprometer a manutenção do número de habitantes do meio rural, ainda que a população rural que passou a receber o benefício da aposentadoria tenha contribuído para reverter processos de desagregação que pareciam estabelecidos. Em função da divisão do trabalho rural realizar-se por gênero e hierarquia, os jovens não visualizam a remuneração que lhes caberia por trabalhar na propriedade dos pais, ficando motivados a procurarem empregos em outras propriedades maiores ou na cidade.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

O ENVELHECIMENTO E A MASCULINIZAÇÃO RURAL – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/67183. Acesso em: 21 abr. 2026.