A formação de uma fronteira militarizada sob as perspectivas da Arqueologia da Paisagem
Palavras-chave:
fronteira, arqueologia, paisagem, EstânciasResumo
Este trabalho tem por objetivo apresentar algumas reflexões acerca do projeto de pesquisa A formação de um espaço de fronteira através da arqueologia da paisagem: a área rural de Jaguarão em foco, desenvolvido pelo Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (LACUMA/UNIPAMPA). O projeto investiga parte da materialidade resultante das disputas territoriais entre as coroas ibéricas na formação da fronteira Jaguarão (BR)- Rio Branco (UY) no final do século XVIII e século XIX. Neste estudo analisamos em específico a instalação de estâncias cujas sedes têm, em alguns de seus elementos arquitetônicos, características que remetem a construções militares, típicas dessas regiões, como fortes, fortins e guardas. Além disso, apontamos que essas instalações representam para a região a formação do que futuramente ficaria conhecida como a elite estancieira. Desta forma, utilizamos a Arqueologia da Paisagem (ArPa) como uma abordagem possível por compreendermos que, através dela, podemos entender os processos sociais e históricos de sujeitos que materializaram essas novas paisagens. Nesta perspectiva, abordar a região da fronteira e a formação de uma nova ordem de poder através da ArPa torna-se necessário, visto que a sociedade, a paisagem e o espaço são elementos indissociáveis e sua relação é dialética. Considera-se, portanto, que a paisagem não deixa de caracterizar-se como o meio e o resultado das ações humanas, mas, igualmente, é compreendida como um objeto político e estratégico. Com isso, o trabalho é desenvolvido com estudantes que atuam na iniciação científica, e uma das principais atividades exigidas no desenvolvimento do projeto é a leitura de bibliografias referentes ao assunto, combinado a realização de levantamento bibliográfico para a produção de novas reflexões. Outra atividade que desenvolvemos neste trabalho é a realização de pesquisa em fontes primárias localizadas no Instituto Histórico e Geográfico de Jaguarão (IHGJ), como fonte primária pesquisada destacamos as atas da Câmara de Vereadores de Jaguarão, dos anos de 1845-1851. Nestas fontes, procurávamos referências a elementos que evidenciassem a área rural de Jaguarão, bem como notícias das estâncias, ações de melhorias aos acessos a estes postos, como também notícias que destacassem a preocupação com os vizinhos castelhanos (devido o sucessivo contato entre essas populações). Em virtude disso, destacamos que essas sedes de estâncias ainda preservadas na fronteira Jaguarão/Rio Branco, são importantes elementos para um estudo arqueológico da paisagem formada no contexto conflituoso de formação da fronteira. Além disso, essas instalações são espaços de moradias que perpassam todo um cotidiano familiar e de trabalho rural que merecem um olhar mais dedicado dos estudos arqueológicos. Devido a isso, pretendemos ainda problematizar a formação da fronteira meridional portuguesa para além dos assentamentos militares. Agradecimentos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do SulDownloads
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Publicado
2020-02-14
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A formação de uma fronteira militarizada sob as perspectivas da Arqueologia da Paisagem. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/65825. Acesso em: 23 set. 2026.