A Inserção da Diversidade na Universidade: Relato de experiência de um Kaingang.

Autores

  • Daniel Sales
  • Marta Iris Camargo Messias Da Silveira

Palavras-chave:

Ações, afirmativas, Indígenas, Enfermagem, Formação, acadêmica

Resumo

Segundo a constituição brasileira, os indígenas possuem direitos que garantem a proteção de sua cultura e a participação política integral na sociedade brasileira, considerando-se sua importância na historia do país e tendo em vista o respeito à interculturalidade. A Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), § 3º no que se refere à educação superior, determina a necessidade de inserção dos povos indígenas nas instituições superiores federais publicas e privadas, definindo uma assistência especial aos indígenas que ingressarem nestes espaços educacionais. A Universidade Federal do Pampa em 2012 criou o vestibular especifico para indígenas, sendo apoiado pelo Programa Anauê - Programa de Apoio e Acompanhamento dos Indígenas, sob a responsabilidade da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis e Culturais; Inicialmente, ingressaram na Unipampa 08 alunos, divididos nos campus de Itaqui, Uruguaiana, e Alegrete, destes ingressantes apenas 03 continuam frequentando os cursos dando continuidade a sua formação. Sendo assim, o objetivo deste relato é refletir sobre a minha experiência como acadêmico indígena regularmente matriculado no Curso Graduação em Enfermagem-campus de Uruguaiana, buscando contribuir com o necessário aperfeiçoamento da política de ações afirmativas. Sou pertencente a uma tribo Kaingang, da terra indígena do Guarita, localizada no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, sendo a maior do estado com uma população estimada pelo censo 2010 em 7000 habitantes. A terra indígena Guarita ocupa uma área de 23.406,87 hectares com 03 municípios, composta por Kaingangs na sua maioria e com algumas famílias da tribo Guarani. Ingressei na universidade em 2012, sendo acompanhado por um professor monitor e um aluno monitor, do programa Anauê; por ter convivido a maior parte com os fog(brancos) não senti muitas dificuldades em relação a morar em outro município, nem na inserção no universo acadêmico. Isto, mesmo considerando que os Kaiagangs tenham a cultura de estar sempre muito próximos da família, pois a coletividade é uma das características mais marcantes deste povo. Na rotina da universidade, a receptividade dos colegas foi boa, mas sempre percebi um receio em relacionar-se com um indígena, o que se dá pelo desconhecimento da sua cultura e, principalmente, pelo ineditismo de sua presença em espaços educacionais como as escolas e universidades. Parece-me que veem os indígenas como algo místico, exótico e estranho. Mesmo com estas adversidades encontradas a cada dia tenho avançado em meus objetivos, pois considero que me identifico com o curso escolhido, e sei que estes conhecimentos serão bem aproveitados no meu retorno a aldeia quando formado e que terei a oportunidade de trabalhar em prol da terra indígena do Guarita. As ações afirmativas são ainda recentes e sua avaliação é necessária, sendo seus beneficiários, vozes importantes neste processo.

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Publicado

2020-02-14

Como Citar

A Inserção da Diversidade na Universidade: Relato de experiência de um Kaingang. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 1, 2020. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/64895. Acesso em: 16 maio. 2026.