Diversidade genética interpopulacional em Luehea divaricata Mart. & Zucc. na região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, baseada em marcadores microssatélites

Autores

  • Jordana Caroline Nagel
  • Valdir Marcos Stefenon

Palavras-chave:

Estrutura genética, genética de populações, marcadores moleculares, açoita-cavalo, bioma Pampa.

Resumo

Pertencente à família Malvaceae, o açoita-cavalo (Luehea divaricata) é uma espécie florestal nativa do Rio Grande do Sul, muito utilizada na confecção de móveis e como fitoterápico. Suas populações naturais reduziram drasticamente, devido à exploração de forma descontrolada pelo homem. Atualmente, é raro encontrar exemplares com boas características fenotípicas adequadas ao uso comercial, tornando necessária a caracterização da diversidade genética da espécie. O objetivo deste trabalho foi analisar a diversidade genética interpopulacional de cinco populações naturais de L. divaricata, ocorridas no bioma Pampa, na região da fronteira oeste. Amostras foliares foram coletadas de todos os indivíduos adultos encontrados nas cinco áreas (n = 167). O DNA foi extraído com o kit Invisorb Spin Plant Mini Kit (Invitek) e oito locos microssatélites foram amplificados via PCR. Os alelos foram resolvidos em gel de agarose (3%) e os dados analisados com o programa GenALEx. O número médio de alelos encontrados na população Camboazinho foi 2,62, na população de Arroio Canas foi 2,25, na Fazenda Inhatinhum foi 2,37, no Rio Cacequi foi 2,37 e na população as margens da BR 290 foi 2,62, o número médio efetivo de alelos foi de 1,96 para a população Camboazinho, 1,93 para a população Arroio Canas, 2,03 para Fazenda Inhatinhum, 1,86 para Rio Cacequi, 2,19 para a BR 290. A heterozigosidade esperada média (He) entre essas populações variou entre 0,37 e 0,51. Análise da variância molecular (AMOVA) mostra que 91% da variação está ocorrendo dentro das populações e 9% entre as populações, esses valores estão dentro do esperado, considerando que está é uma espécie arbórea.  A análise da estrutura genética sugere que a dispersão de pólen e sementes está ocorrendo de maneira homogênea dentro de cada população. Já, o fluxo gênico entre as cinco populações é efetivamente baixa, devido à distância geográfica, aos vetores de polinização feita por abelhas e esporadicamente por beija-flores, e ao mecanismo de dispersão de frutos e sementes pelo vento (anemocórica), o que dificulta a troca de alelos entre essas populações. Estes resultados sugerem que, apesar do baixo número de indivíduos encontrados nas populações e do elevado grau de endogamia, a dispersão de propágulos reprodutivos é eficiente dentro das populações. Assim, programas de conservação dos recursos genéticos desta espécie tendem a ser efetivos se o fluxo de polinizadores e dispersores de sementes for mantido.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Diversidade genética interpopulacional em Luehea divaricata Mart. & Zucc. na região da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, baseada em marcadores microssatélites. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 4, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63914. Acesso em: 17 abr. 2026.