Fertilidade Real de Vacas de Corte de Diferentes Composições Raciais Criadas no Sul do Brasil

Autores

  • Rodrigo Carneiro De Campos De Azambuja
  • Fábio Souza Mendonça
  • Leonardo De Melo Menezes
  • Pedro Faraco Rodrigues
  • Isabella Dias Barbosa Silveira
  • Fernando Flores Cardoso

Palavras-chave:

Grupo genético. Melhoramento animal. Fertilidade Real.

Resumo

         Os baixos índices reprodutivos comprometem a lucratividade da bovinocultura de corte, também comprometendo a execução de programas de seleção, devido a pouca disponibilidade de animais para reposição. Neste contexto, o cruzamento entre raças demonstra ter grande relevância, pois a utilização deste método resulta em melhores desempenhos nas características de importância econômica, em especial, nas características reprodutivas. Existem características adotadas como critérios de avaliação e seleção por estarem ligadas diretamente com a eficiência reprodutiva, como o intervalo entre partos. No entanto, para avaliar de forma mais ampla essa eficiência reprodutiva, a habilidade materna como fator determinante no crescimento do bezerro deve também ser considerada. Para tal, uma alternativa é a fertilidade real (FR), que contabiliza simultaneamente a fertilidade e a produção de carne, expressa em quilos de bezerros desmamados por ano efetivo.  Objetivou-se no presente trabalho avaliar a fertilidade real de vacas de corte de diferentes composições raciais sob pastoreio contínuo em campo nativo. A pesquisa foi realizada na Embrapa Pecuária Sul, localizada em Bagé-RS. Foram utilizadas 51 vacas com idades de 3 e 4 anos sob pastoreio contínuo em campo nativo.  Analisaram-se vacas de quatro composições raciais, sendo cinco vacas da raça Angus (ANAN) 17 do cruzamento ½ Angus ½ Caracu (ANCR), 12 do cruzamento ½ Angus ½ Hereford (ANHH) e 17 do cruzamento ½ Angus ½ Nelore (ANNE). O período de parição foi de setembro a dezembro de 2010. No dia do parto os bezerros foram pesados, repetindo-se este procedimento em maio de 2011, por ocasião da desmama quando as vacas também foram pesadas e realizou-se diagnóstico gestacional. A fertilidade Real foi calculada através da equação: FR = PD*365/IP, em que: FR = fertilidade real; PD = peso ao desmame; IP = intervalo de partos. As características foram submetidas à análise de variância, realizando o procedimento GLM do SAS. A composição racial não apresentou influência na diferença das médias do Intervalo de Partos, com 422; 407; 407,8 e 407,9 dias para vacas ANAN, ANCR, ANHH e ANNE respectivamente. Estes resultados discordam da literatura que aponta efeitos negativos de maiores produções de leite em vacas cruzadas sobre a eficiência reprodutiva pós-parto. Vacas ANNE e ANCR apresentaram maior FR (181,3 e 173,3 Kg) e PD (193 e 184,8Kg) em relação às ANHH e ANAN com respectivos valores 152,2 e 137,4Kg e 163,3 e 153,7Kg. Vacas ANCR e ANNE foram 19,9 e 24,% superiores as ANAN e 16,1 e 11,2% superiores as ANHH respectivamente. Como não houve diferença no IP entre os grupos genéticos, a diferença na FR deve-se ao fato das vacas ANCR e ANNE desmamarem bezerros mais pesados que as ANAN e ANHH. Este peso superior ao desmame está relacionado à complementaridade entre raças adaptadas e britânicas e, possivelmente, a um maior efeito da heterose materna obtido nestes cruzamentos entre raças geneticamente mais distantes. Através dos resultados percebe-se que o cruzamento entre raças gera ganhos tanto na eficiência produtiva quanto reprodutiva, demonstrando ser uma alternativa para aumento da produtividade na fase de cria de rebanhos de bovinos de corte.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Fertilidade Real de Vacas de Corte de Diferentes Composições Raciais Criadas no Sul do Brasil. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 4, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63903. Acesso em: 18 abr. 2026.