Do Macro ao Micro: Invertendo os Sentidos, Instigando os Instintos
Palavras-chave:
curiosidade, aulas práticas, ensino de biologia, conhecimentos préviosResumo
A curiosidade é por excelência um instinto que coloca o homem em contato e em busca pelo novo, lhe aguça os sentidos e permite ao indivíduo abrir as portas para o processo de aprendizagem. O cotidiano é um vasto campo de possibilidades e de novidades a serem descobertas. Nossos olhos captam um mundo macroscópico e deste derivam nossas primeiras relações para a compreensão dos processos no microscópico. Neste sentido desenvolveu-se uma aula prática de citologia, para turmas de segundo ano do ensino médio, no Colégio Estadual Dom João Braga na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, objetivando a mudança do ensino, que se encontra cristalizado principalmente pelos livros didáticos, sustentando o paradigma de que os conhecimentos em biologia devem seguir a ordem: partir do micro para compreender o macro. Partes de tecido morto do caule de ?corticeira? (Erytrina crista-galli L.- Fabaceae) foram analisadas pelos alunos com o auxilio de estereomicroscópios, remetendo ao que fez o cientista Robert Hook. Desta observação surgiram as relações do conhecimento prévio dos alunos com o material observado. Como a comparação dos pequenos espaços vazios às casas, ocupadas anteriormente por algo. Esse passo foi determinante para criar as relações conceituais, que viriam a tornar-se base na compreensão do conceito de célula. Preparou-se assim o caminho para adentrar ao microscópico mundo animal. Sucederam-se projeções de lâminas feitas com tecidos animal que serviram para construir o entendimento de tecido e de seres pluricelulares. Por fim trabalhou-se com a ideia de movimento. Tanto plantas quanto animais o possuem, a diferença essencial está na intensidade em que ele se realiza e na proporção visual que ocorrem. Lâminas feitas com água contaminada proporcionaram observar protozoários (seres unicelulares) e após isso, a observação de ciclose em células de Elodea sp. (Hydrocharitaceae), ambos os movimentos imperceptíveis a olho nu. Com plantas insetívoras, foram demostrados movimentos mais intensos em plantas e movimentos animais foram citados pelos próprios alunos. Do macro ao micro e ao macro novamente, todas as relações os trouxeram a compreender aquilo que lhes é visível e palpável a todo o momento, tecido vegetal e animal. A curiosidade estimulada pelos seus conhecimentos prévios sobre o assunto desempenhou o papel de ?ancorar? constantemente o conteúdo, provocando a aula e instigando a dúvida. Deste modo concluímos que a inversão da lógica, microscópico ao macroscópico é possível e viável, obtendo-se grande sucesso numa aula que se desenvolve naturalmente devido à significação que o aluno realiza por meio das relações construídas entre as formas que lhe é de costume observar e as novas formas que serão apresentadas.Downloads
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Publicado
2013-03-15
Edição
Seção
Ciências Humanas
Como Citar
Do Macro ao Micro: Invertendo os Sentidos, Instigando os Instintos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 3, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63678. Acesso em: 18 abr. 2026.