Nível de infecção cardíaca por Sarcocystis Spp em bovinos abatidos no sul do Rio Grande do Sul

Autores

  • Liége Furtado De Araújo
  • Mariah Da Silveira Schuch
  • Camila Beatriz Bonatto
  • Iuri Vladimir Pioly Marmitt
  • Leandro Quintana Nizoli
  • Sergio Silva Da Silva

Palavras-chave:

Sarcocistose, cães, frigorífico

Resumo

A sarcocistose bovina causada por Sarcocystis cruzi é a parasitose cística de maior prevalência em bovinos no Brasil, sendo transmitida ao bovino pelo cão contaminado, que elimina esporocistos em suas fezes contaminando as pastagens. A doença causa miosite no miocárdio e pode ser considerada uma das doenças responsáveis pelo retardo de crescimento e acabamento de bovinos destinados ao consumo humano. A prevalência deste protozoário da população canina se deve ao fato destes animais estarem intimamente ligados ao manejo de rebanhos bovinos, bem como o hábito de se alimentarem de carne crua. O diagnóstico mais comumente empregado é direto a fresco por escarificação do miocárdio ou por histologia com coloração por hematoxilina e eosina. Para um diagnóstico quantitativo, mensurando o grau de infecção que o animal apresenta, é de suma importância que se padronizem as quantidades de tecido escarificado por amostra a ser analisada para a contagem de cistos. Em vista disso, o objetivo do presente trabalho foi demonstrar o grau de contaminação de corações por Sarcocystis spp pelo exame direto a fresco por escarificação do miocárdio de bovinos sadios da região sul do Rio Grande do Sul (Jaguarão, Arroio Grande e Piratini) abatidos em frigorífico no município de Pelotas, RS. Foram coletadas 74 amostras do miocárdio de corações de bovinos com idades entre 25 e 36 meses, sadios, abatidos em frigorífico contendo aproximadamente 1,0cm de espessura e 5,0cm de comprimento. As amostras foram identificadas individualmente em sacos plásticos e acondicionados em caixa isotérmica com gelo e encaminhadas ao Laboratório de Doenças Parasitárias (LADOPAR) da Faculdade de Veterinária ? UFPel, para o devido processamento. No Laboratório, foram feitos exames diretos a fresco por escarificação, onde foi preconizado que a quantidade de conteúdo escarificado a ser examinado seria de 30mg. Posteriormente cada amostra foi examinada em lâmina histológica adicionada de 30µL de PBS e coberta com lamínula 18X18 mm para visualização em microscopia ótica em magnificação de 200 e 400 vezes. Após as análises, foi diagnosticado que 100% das amostras eram positivas para Sarcocystis spp, contendo de 1 a 9 cistos em 30mg. É possível estimar que a contaminação dos corações examinados seja de 35 a 250 cistos por grama de miocárdio. Isto caracteriza o risco potencial de infecção para cães ao ingerirem corações de bovinos após abate nas propriedades ou ingestão de carcaça de animais mortos, aumentando o potencial biótico do parasito no campo. Maiores contaminações no campo justificam prevalências de 100% em bovinos destinados ao consumo humano e o caráter de doença parasitária endêmica nas regiões de pecuária de corte. A partir do experimento realizado, foi possível concluir que a sarcocistose bovina é uma parasitose endêmica nesta região, porém ainda são necessários outros estudos acerca da epidemiologia desta enfermidade, a fim de que se possam estabelecer estratégias de controle efetivas.

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Publicado

2013-03-15

Como Citar

Nível de infecção cardíaca por Sarcocystis Spp em bovinos abatidos no sul do Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 1, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/63184. Acesso em: 17 abr. 2026.