Mulheres Que Semeiam Saberes: Educação, Liberdade e Territórios do Campo, da Cidade e das Periferias

Autores

  • Sintia Maritis Hipólito Canilha
  • Vanderleia Lucia Dick Conrad
  • Clarice Borba dos Santos
  • Jefferson Marçal Da Rocha

Palavras-chave:

Saberes, experiência, participação, feminina, formação, educacional

Resumo

Este trabalho analisa o protagonismo de mulheres do campo, da cidade e das periferias como produtoras de saberes e sujeitos de processos educativos, tomando como objeto uma carta pedagógica elaborada no contexto das leituras de Paulo Freire e apresentada no XXVIII Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire, realizado na Universidade Federal de Santa Maria, em 2026. A temática articula-se ao 18º SIEPE, cuja proposta é Territórios de saberes: Mulheres, Ciência e Ancestralidade, ao problematizar formas de reconhecimento de conhecimentos produzidos por mulheres em diferentes territórios e suas implicações para a educação. O objetivo é analisar de que modo os saberes construídos nas experiências de trabalho, cuidado, organização comunitária, relação com a terra e luta por direitos podem contribuir para práticas educativas emancipatórias e para processos de formação e gestão educacional comprometidos com a participação e a justiça social. Trata-se de estudo qualitativo, de natureza teórico-reflexiva e documental. O texto é constituído pela carta pedagógica Educação como prática de liberdade mulheres que semeiam saberes do campo, da cidade e das periferias, elaborada pelas autoras, e pelo diálogo teórico estabelecido com Paulo Freire e bell hooks. A análise foi realizada por leitura interpretativa e organização temática, considerando cinco eixos: educação como prática de liberdade; mulheres como produtoras de conhecimento; território, Educação do Campo e saberes da experiência; políticas de formação, autonomia e reconhecimento; e esperança como princípio político-pedagógico. Os resultados da análise evidenciam que os saberes femininos presentes na carta não aparecem apenas como relatos de experiências, mas como conhecimentos construídos por meio da observação, da memória, da transmissão intergeracional, do trabalho, do cuidado, da organização coletiva e da participação comunitária. Evidenciam também que o reconhecimento desses saberes desloca a educação de uma perspectiva predominantemente transmissiva para uma concepção dialógica, situada e comprometida com a transformação social. No campo, as experiências das mulheres relacionadas à agricultura familiar, às práticas comunitárias, à preservação de conhecimentos tradicionais e à relação com a terra revelam a potência de uma educação territorializada, na qual a realidade vivida constitui fonte de problematização e aprendizagem. Nas periferias e nos contextos urbanos, as redes de cuidado, solidariedade e organização igualmente configuram espaços de produção de conhecimento e participação. A análise aponta, ainda, que políticas e processos formativos destinados às mulheres produzem maior potencial emancipatório quando incorporam escuta territorial, reconhecimento de trajetórias e participação efetiva dos sujeitos, em vez de tratar as mulheres apenas como beneficiárias de ações institucionais. Como contribuição para o campo profissional da educação, o estudo sistematiza princípios para um dispositivo formativo denominado, provisoriamente, Mulheres que Semeiam Saberes: círculos de escuta, memória e formação, organizado em cinco movimentos: escuta do território; memória e narrativa; diálogo entre saberes da experiência e conhecimentos sistematizados; sistematização pedagógica; e devolutiva com planejamento de ações. O dispositivo é apresentado como proposição decorrente dos resultados analíticos, ainda não como produto validado. Conclui-se que reconhecer as mulheres como autoras de conhecimento amplia o sentido democrático da educação e fortalece práticas de formação, currículo e gestão que articulam território, memória, participação e direitos humanos. Esperançar, nessa perspectiva, implica criar condições institucionais para que saberes historicamente invisibilizados sejam reconhecidos, socializados e mobilizados na transformação dos territórios.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Mulheres Que Semeiam Saberes: Educação, Liberdade e Territórios do Campo, da Cidade e das Periferias. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123886. Acesso em: 29 out. 2026.