Proraf: Um Módulo de Gerenciamento de Insumos para Rastreabilidade na Agricultura Familiar
Palavras-chave:
Rastreabilidade, Agricultura, Familiar, BioinsumosResumo
A agricultura familiar ocupa lugar central na produção de alimentos no Brasil, respondendo por 77% dos estabelecimentos agropecuários e aquicultores do país, segundo os Censos Agropecuários de 2006 e 2017, o que representa mais de 3,8 milhões de propriedades ocupando cerca de 23% da área total dedicada à agropecuária nacional, além de ser responsável por parcela significativa dos empregos ligados às atividades agropecuárias, artesanais e agroindustriais. Apesar dessa relevância econômica e social, esse segmento ainda enfrenta dificuldades para adotar tecnologias digitais que garantam transparência e rastreabilidade em suas cadeias produtivas, uma lacuna importante também do ponto de vista legal, já que normas como a IN Conjunta 02/2018 MAPA/ANVISA impõem o rastreamento da cadeia produtiva de vegetais frescos. Nesse contexto, o Proraf (www.proraf.com.br) surge como um projeto de extensão voltado a superar essa lacuna, estruturado em três pilares fundamentais: um Sistema de Informação (SI) que reúne aplicativos voltados a consumidores e produtores, priorizando usabilidade, segurança e escalabilidade; um serviço de etiquetagem colaborativa, que busca reduzir custos operacionais e de infraestrutura na rastreabilidade, contando com o respaldo de instituições públicas como prefeituras, o que confere legitimidade ao processo; e um ambiente de qualificação de dados e serviços inovadores, que oferece espaço dinâmico para o aprimoramento contínuo das soluções. Até então, o sistema permitia registrar produtores, campos, produtos, lotes e movimentações, respondendo a perguntas como quem produziu, em qual propriedade, qual lote foi gerado e por onde o produto passou até chegar ao consumidor, mas não contemplava as práticas de manejo empregadas ao longo do cultivo. Neste trabalho, ampliamos o escopo do Proraf ao projetar e implementar um módulo dedicado ao gerenciamento de insumos e bioinsumos agrícolas, contemplando categorias como fertilizantes, defensivos, corretivos, inoculantes, biofertilizantes e agentes de controle biológico, permitindo associá-los diretamente aos lotes de produção com informações como quantidade aplicada e data de aplicação. Essa adição é especialmente relevante porque a rastreabilidade de alimentos cultivados com bioinsumos, como bactérias e fungos benéficos, garante a segurança alimentar, comprova o manejo sustentável e valida os atributos ecológicos do produto perante o consumidor, permitindo diferenciação comercial de produtos gerados com menor impacto ambiental, além de auxiliar no cumprimento de exigências sanitárias, no controle de lotes e na gestão de riscos ao identificar rapidamente qualquer desvio no processo produtivo. Optamos por desenvolver os insumos como um microsserviço independente, e não como uma nova tabela dentro da API principal do Proraf, justamente por antecipar a expansão futura para cenários mais complexos, como o detalhamento de bioinsumos, que podem envolver um número crescente de atributos e regras próprias, sendo mais adequado tratá-los de forma separada. A implementação seguiu a mesma arquitetura já empregada no restante do sistema, com uma API REST construída em FastAPI responsável pelos serviços de cadastro, consulta, atualização e remoção dos dados, modelagem de entidades com SQLAlchemy como ORM, controle de versionamento do esquema do banco de dados com Alembic e validação e serialização dos dados trafegados pela API com Pydantic, assegurando consistência nas requisições e respostas. O ambiente de desenvolvimento foi gerenciado com uv e Taskipy, e testes automatizados com Pytest cobriram os principais casos de uso, incluindo criação, listagem, consulta, atualização, ativação e desativação de insumos. Como parte dessa evolução, a base de dados do módulo de insumos, inicialmente estruturada em SQLite para fins de prototipagem e validação rápida do modelo, foi migrada para PostgreSQL, acompanhando o padrão de banco relacional já adotado pelo restante do Proraf e garantindo maior suporte a concorrência, integridade referencial e escalabilidade necessárias para operar em ambiente de produção. Com essas mudanças, o Proraf passa a responder não apenas quem produziu, em qual campo e quem comprou determinado produto, mas também quais fertilizantes e defensivos foram utilizados, quando cada insumo foi aplicado e qual lote recebeu determinada aplicação, construindo um histórico mais completo que conecta o campo ao consumidor. O resultado é uma arquitetura mais modular, testada e preparada para expansão, que reforça o papel do Proraf como ferramenta de transparência e eficiência na cadeia produtiva agrícola, fortalecendo a confiança entre produtores familiares e consumidores e demonstrando, na prática, a aplicabilidade dos conceitos de Sistemas de Informação na resolução de problemas reais do agronegócio.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Proraf: Um Módulo de Gerenciamento de Insumos para Rastreabilidade na Agricultura Familiar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123765. Acesso em: 24 out. 2026.