Seriam as Danças Circulares Território Majoritário de Mulheres?

Autores

  • Eduarda Machado
  • Álvaro Martins Pinto
  • Carla Maria Simões Sica
  • Claudia Laus Angelo

Palavras-chave:

Escola, Integração, Gênero

Resumo

As danças circulares, tradicionais de determinadas culturas ou contemporâneas, ou seja, coreografadas para serem dançadas em roda, geralmente de mãos dadas, foram incluídas nas Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde por terem o potencial de estimular a integração, o acolhimento às diversidades, a consciência corporal, além de proporcionarem bem-estar, harmonizarem o emocional, estimularem a memória, a concentração e elevarem a autoestima. Desde o ano de 2016, essa modalidade de dança tem sido praticada no Campus Bagé da Universidade Federal do Pampa, em encontros semanais do Projeto de Extensão Pampa Circular, com o objetivo de que cheguem aos espaços educativos e tragam benefícios para todos os segmentos envolvidos, possibilitando que professores planejem aulas mais dinâmicas e criativas em todas as áreas. Sendo assim, esse projeto consiste em um espaço de encontro, aprendizagem, expressão e compartilhamento de conhecimentos através das danças circulares. Embora o foco do projeto seja a formação de professores, outros segmentos da sociedade sempre participaram dos encontros e desde 2024 o projeto estende suas ações à uma Escola Municipal de Ensino Fundamental e leva danças circulares infantis às crianças dos anos iniciais (1º ao 5º ano), uma vez por semana. Este ano a temática do 18º SIEPE estimulou a equipe a olhar para uma questão muito presente na maioria das rodas de danças circulares espalhadas pelo mundo: Seriam as danças circulares território majoritário de mulheres?. No decorrer desses dez anos de atuação, percebe-se a presença predominante de mulheres entre os participantes dos encontros do projeto, uma característica que origina reflexões de gênero, cuidado e a circulação do conhecimento na extensão universitária. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo refletir sobre a participação feminina nas danças circulares. Para tanto, foi realizada uma análise documental em 19 apostilas didáticas que foram compartilhadas com os participantes durante esses 10 anos de projeto. Nessas apostilas constam aspectos históricos sobre as danças circulares no mundo, no Brasil e em Bagé-RS, informações de todas as coreografias praticadas pela turma, além de imagens dos participantes e do registro de todos os concluintes que mantiveram frequência regular nos encontros. O resultado da análise dessas apostilas didáticas mostrou que de um total de 404 concluintes durante esses anos, apenas 46 eram homens, ou seja, o projeto contou com 88,6% de mulheres concluintes e 11,4% de homens concluintes, sendo que em quatro semestres, apenas mulheres mantiveram frequência. Na pesquisa de Freire e Minayo (2023) sobre as danças circulares como método de cuidado da saúde, as autoras constataram que a baixa frequência masculina em estudos sobre a prática de dança associada à saúde reflete o imaginário social no qual a dança é considerada uma atividade do universo feminino. O estudo de Zanata (2020) que trata sobre as questões relacionadas à inserção da dança nas atividades de Educação Física numa escola de Ensino Fundamental, reforça que muitas crianças demonstraram pensar que a dança é uma atividade feminina. Essa autora argumenta que as gerações que não tiveram dança no contexto escolar, não conseguem entender seu significado, fazendo com que muitos pais considerem a dança como coisa de mulher. Consequentemente, isso é repassado para seus filhos. No caso das rodas de danças circulares que o projeto Pampa Circular realiza em uma escola de Ensino Fundamental com turmas de 1º ao 5º ano desde 2024, a grande maioria dos meninos participa com entusiasmo, o que traz uma esperança de que no futuro essas crianças, suas famílias e toda a comunidade escolar reconheçam que as danças circulares são para todos. Para concluir, embora atualmente haja predominância de mulheres no universo das danças circulares, a disposição em roda contribui para uma experiência de igualdade e cooperação, onde cada integrante possui um papel único e importante para a construção do coletivo.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

Seriam as Danças Circulares Território Majoritário de Mulheres?. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123714. Acesso em: 24 out. 2026.