Promoção da Cultura de Paz: Ação Extensionista de Prevenção da Violência na Educação Infantil

Autores

  • Maria Luisa Hipólito Gundim dos Santos
  • Livia Maria Terra da Silva
  • Brian Kenji Toda Kisaki
  • Bianca Naely Barboza da Silva
  • Guilherme Henrique Larssen de Aquino
  • Samuel Romero

Palavras-chave:

Cultura, paz, Programa, Saúde, Escola, Educação, Infantil

Resumo

A violência e o bullying nas escolas constituem questões relevantes para a saúde pública e coletiva, com repercussões diretas no desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo das crianças. Estas situações podem ser verbais, físicas ou simbólicas e são frequentemente naturalizadas no cotidiano escolar. Nesse contexto, ações educativas precoces e lúdicas contribuem para o fortalecimento de valores como respeito, empatia, cooperação e valorização das diferenças. O Programa Saúde na Escola (PSE), enquanto estratégia de articulação intersetorial entre saúde e educação, constitui espaço oportuno para ações de promoção da saúde e prevenção de violências. Diante disso, foi desenvolvida uma ação extensionista pela disciplina de Saúde Coletiva IV do curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), em parceria com a Estratégia Saúde da Família (ESF) 18 Profilurb e o EMEI Vasco Prado, em Uruguaiana-RS, da qual participaram aproximadamente 50 crianças, de 4 a 6 anos. A atividade foi conduzida por 6 acadêmicos, sob orientação docente e em articulação com a equipe da unidade de saúde. Buscou-se abordar o respeito, a convivência saudável e a prevenção de atitudes violentas e bullying, além de estimular o reconhecimento de comportamentos respeitosos e não respeitosos, fortalecer a empatia, a aceitação das diferenças e incentivar formas de interação baseadas no cuidado e no respeito mútuo. Inicialmente, realizou-se uma roda de conversa para estabelecer vínculo e identificar conhecimentos prévios sobre respeito e comportamentos adequados ou inadequados. Esse momento também permitiu reconhecer concepções das crianças sobre situações de convivência e identificar a naturalização de algumas práticas agressivas como formas de brincadeira. Por conseguinte, foi realizada a contação da história Élmer, o elefante xadrez, utilizada para discutir empatia, valorização da diversidade e respeito mútuo, seguida de perguntas abertas e reflexão coletiva sobre situações do cotidiano escolar. Posteriormente, aplicou-se a dinâmica Semáforo das Atitudes, utilizando as cores do sinaleiro associadas a uma brincadeira musical: a cor verde representava atitudes positivas e liberdade para interagir; a amarela exigia atenção e movimentos lentos; e a vermelha simbolizava a interrupção de comportamentos inadequados em modo estátua. Ao final, promoveu-se um fechamento dialogado, retomando os significados das cores e reforçando atitudes de cuidado e respeito mútuo. A avaliação ocorreu qualitativamente, por meio de observação participante e registro de falas, expressões, comportamentos e interação das crianças durante a intervenção. Como resultado, as crianças demonstraram abertura para o diálogo e participação espontânea, contribuindo com falas e manifestações relacionadas às situações apresentadas, compreendendo a distinção entre interações lúdicas saudáveis e comportamentos prejudiciais ao outro, além de exercitarem o autocontrole e a cooperação . Embora reconhecessem diversas atitudes adequadas e inadequadas, algumas práticas agressivas foram inicialmente associadas a brincadeiras, evidenciando a relevância de abordar precocemente a diferenciação entre estas formas de agir e consequentemente construir conhecimento interpessoal. Destacou-se ainda a inclusão espontânea de colegas com deficiência física e intelectual pelos próprios pares durante a atividade, sem distinção, evidenciando um ambiente acolhedor e inclusivo. A experiência também proporcionou aos acadêmicos uma vivência prática sobre educação em saúde, atuação intersetorial e aproximação com as necessidades do território. Conclui-se que a ação demonstrou potencial para utilizar recursos lúdicos e participativos na abordagem precoce de respeito, empatia e prevenção da violência no ambiente escolar. Embora pontual, a intervenção favoreceu a participação, a expressão de percepções e a reflexão coletiva sobre convivência e diferenças, reforçando a relevância da articulação entre universidade, saúde e educação para a promoção de ambientes escolares mais acolhedores, seguros e inclusivos. Por fim, essa experiência reforça a importância das ações extensionistas como ferramentas de transformação social e de formação crítica e humanizada dos futuros profissionais da saúde, bem como a relevância de inserir ações de promoção da saúde e prevenção da violência desde a educação infantil, utilizando metodologias adequadas ao desenvolvimento das crianças e articulando universidade, serviço de saúde, escola e comunidade.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Promoção da Cultura de Paz: Ação Extensionista de Prevenção da Violência na Educação Infantil. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123692. Acesso em: 22 out. 2026.