Adaptabilidade Metodológica, Química Verde e Redes Sociais: Serviço Extensionista no Pampa
Palavras-chave:
Química, Verde, Extensão, Universitária, Divulgação, CientíficaResumo
A extensão universitária desempenha um papel fundamental na socialização da ciência, transformando laboratórios acadêmicos em verdadeiros pólos de interação dialógica que respondem às demandas sociais e ambientais de territórios vulneráveis, como a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde a gestão da água e do solo é estratégica para a produção agropecuária e a qualidade de vida das comunidades rurais e urbanas. No entanto, o custo elevado de insumos analíticos, a complexidade operacional de métodos tradicionais e a geração excessiva de resíduos químicos constituem barreiras significativas para a oferta sustentável de diagnósticos de qualidade da água e do solo, limitando o alcance das ações extensionistas e a capacidade de resposta a demandas emergentes. O presente trabalho relata assim a experiência de estruturação e validação de estações analíticas tradicionais adaptadas sob as premissas da Química Verde e mínimo custo, concebidas como um serviço de extensão curricularizado do Laboratório Interdisciplinar Integrado (LABii) e do grupo UniGAIA da Unipampa, integrado a uma estratégia de comunicação digital para ampliar o alcance e o engajamento social. O objetivo central é demonstrar a viabilidade metodológica de estações analíticas químicas, físico-químicas e microbiológicas adaptadas de baixo custo, que garantam um nível de incerteza de medição aceitável para diagnósticos expedidos com mínima geração de resíduos e máxima economicidade, ao mesmo tempo em que se articulam com ações de divulgação científica em redes sociais para aproximar a ciência do público jovem e da comunidade regional. A metodologia operacional estruturou-se em torno de dois eixos complementares: o primeiro, técnico-analítico, envolveu a adaptação de estações de medição de variáveis críticas de qualidade hídrica como potencial hidrogeniônico (pH), condutividade elétrica, oxigênio dissolvido (OD) e quantificação microbiológica de coliformes totais e Escherichia coli pelo método de substrato cromogênico Colilert simplificado. Para viabilizar o trabalho em paralelo de equipes de alunos e da comunidade em oficinas, a titulação volumétrica tradicional de acidez e alcalinidade foi completamente reformulada por um sistema de titulação gravimétrica de baixo custo, que substitui buretas e provetas convencionais por seringas descartáveis de precisão e balanças digitais portáteis de alta sensibilidade, reduzindo drasticamente o volume de amostras e o consumo de reagentes padrão (NaOH e HCl). O ajuste de cálculos e a calibração volumétrica das gotas foram automatizados por meio de planilhas eletrônicas compartilhadas em nuvem e pelo uso ético de Inteligência Artificial (IA), que auxiliou na decomposição e otimização das equações matemáticas de equivalência massa-volume, além de apoiar a construção de roteiros laboratoriais. O segundo eixo, comunicacional e extensionista, envolveu a tradução dos procedimentos e resultados dessas estações adaptadas em conteúdos multimídia dinâmicos de vídeos curtos de bastidores, infográficos interativos e publicações em redes sociais (Instagram, YouTube) com linguagem acessível e visual jovem, utilizando as estações como ferramentas de sensibilização para a conservação das bacias dos arroios Cambaí e Olaria. Os resultados indicam que a transição para titulações gravimétricas e a diminuição no gasto com reagentes químicos e mitigação na mesma proporção da geração de resíduos perigosos, motivaram boa adesão nas redes sociais do LABii, estimulando de forma satisfatória a reflexão sobre procedimentos que viabilizem a sustentabilidade ambiental e do próprio monitoramento laboratorial. Do ponto de vista pedagógico, o uso de IA e planilhas compartilhadas no ambiente curricular reduziu as barreiras de interpretação matemática para discentes não especialistas, promovendo o protagonismo discente por meio da aprendizagem baseada em problemas reais do Pampa. No plano comunicacional, a presença ativa do laboratório nas redes sociais gerou engajamento, especialmente entre jovens, que passaram a perceber a ciência como algo próximo, dinâmico e acessível, ampliando a participação em workshops e fortalecendo o diálogo com integrantes de comitês de bacias e escolas da região. Conclui-se que a adaptação frugal de metodologias tradicionais de laboratório, quando alicerçada na Química Verde e amparada por tecnologias digitais e inteligência artificial, constitui uma estratégia viável e altamente escalável para a extensão universitária, especialmente quando articulada a uma comunicação científica sensível e contemporânea. O ecossistema integrado do LABii viabiliza uma vitrine de serviços analíticos comunitários e pedagógicos de baixo custo, que empodera atores locais para a gestão hídrica, demonstra que o rigor científico e a responsabilidade ecológica podem caminhar juntos na democratização do saber agroambiental no bioma Pampa e reafirma o compromisso da universidade pública com a formação cidadã e a transformação social.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Adaptabilidade Metodológica, Química Verde e Redes Sociais: Serviço Extensionista no Pampa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123632. Acesso em: 24 out. 2026.