Curricularização da extensão em Serviço Social: educação em direitos humanos nos CRAS/CREAS de São Borja

Autores

  • Giovana Stein Azevedo
  • Solange Emilene Berwig
  • Jaqueline Carvalho Quadrado

Palavras-chave:

Curricularização, Extensão, Educação, Direitos, Humanos, Assistência, Social

Resumo

A curricularização da extensão constitui um importante instrumento de integração entre ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo a formação acadêmica por meio da aproximação entre universidade e sociedade. Este trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido no componente curricular Relações Sociais de Sexo e Serviço Social, do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), vinculado ao projeto de extensão Diversidades e Inclusão Social em Direitos Humanos. A atividade extensionista teve como objetivo promover ações socioeducativas fundamentadas na Educação em Direitos Humanos junto aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) do município de São Borja, abordando as relações sociais de sexo, a violência de gênero, os direitos das mulheres e o fortalecimento das redes de proteção social. Como estratégia metodológica, a turma do terceiro semestre foi organizada em quatro grupos de trabalho, sendo que cada equipe ficou responsável pela elaboração de um Plano de Extensão, definição da metodologia, produção dos materiais didáticos e execução das atividades em um equipamento da rede socioassistencial. As propostas contemplaram diferentes temáticas, entre elas o enfrentamento da violência doméstica contra a mulher, as violências invisíveis (moral, psicológica e patrimonial), o fortalecimento dos direitos das mulheres, a autoestima e a educação em direitos humanos, utilizando metodologias participativas como rodas de conversa, oficinas, dinâmicas de grupo, análise crítica de músicas, construção do "Iceberg das Violências", pintura de ecobags, socialização da Lei Maria da Penha e apresentação das redes de proteção existentes no município. A elaboração prévia dos planos de extensão possibilitou aos estudantes exercitar competências relacionadas ao planejamento, organização, intervenção, avaliação e sistematização das ações extensionistas, aproximando os conteúdos trabalhados em sala de aula das demandas concretas dos serviços socioassistenciais. Durante a execução das oficinas observou-se significativa participação dos usuários, favorecendo espaços de diálogo, compartilhamento de experiências e problematização das desigualdades de gênero, da violência contra as mulheres e dos direitos sociais. As equipes dos CRAS e do CREAS destacaram a pertinência das temáticas e a relevância da aproximação entre universidade e política pública de assistência social, evidenciando o potencial da extensão universitária para fortalecer processos de educação permanente e prevenção das violências. Para os estudantes, a experiência possibilitou articular teoria e prática profissional, desenvolver habilidades de trabalho em equipe, mediação de grupos, comunicação, planejamento de intervenções e produção de materiais educativos, reafirmando a extensão como dimensão constitutiva da formação em Serviço Social. Evidencia-se, assim, a curricularização da extensão por meio da articulação entre o projeto de extensão Diversidades e Inclusão Social em Direitos Humanos, o componente curricular Relações Sociais de Sexo e Serviço Social e as demandas apresentadas pelos CRAS e CREAS de São Borja. A experiência possibilitou que os conhecimentos produzidos na universidade fossem problematizados, planejados e materializados em ações socioeducativas construídas coletivamente por docentes e discentes, em diálogo permanente com as usuárias e as equipes da rede socioassistencial. As/Os estudantes assumiram papel protagonista na elaboração dos planos de extensão, na execução das oficinas e na sistematização das experiências, produzindo e compartilhando conhecimentos que ultrapassaram os limites da sala de aula e fortaleceram a integração entre universidade, políticas públicas e comunidade. Dessa forma, a extensão universitária consolidou-se como espaço de aprendizagem recíproca, no qual os saberes acadêmicos dialogam com os saberes produzidos nos territórios, qualificando simultaneamente a formação profissional e as práticas desenvolvidas nos serviços socioassistenciais. Conclui-se que a curricularização da extensão potencializou processos formativos críticos, fortaleceu a integração entre universidade e rede socioassistencial e demonstrou que ações educativas fundamentadas na Educação em Direitos Humanos constituem estratégias relevantes para a promoção da cidadania, da equidade de gênero e do fortalecimento das políticas públicas de assistência social.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Curricularização da extensão em Serviço Social: educação em direitos humanos nos CRAS/CREAS de São Borja. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123574. Acesso em: 28 out. 2026.