ENTRE ESCOLA E COMUNIDADE: CONTRIBUIÇÕES DO TERRITÓRIO PARA A FORMAÇÃO DOCENTE

Autores

  • Daniel Filho
  • Allison Pintos Sabedra
  • Diego de Matos Noronha
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira

Palavras-chave:

Comunidade, escolar, Formação, docente, Território,                

Resumo

A participação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) favorece a aproximação entre formação acadêmica, cotidiano escolar e realidade social. Quando o bolsista vive na mesma região em que a escola está inserida, o pertencimento territorial pode contribuir para reconhecer espaços, referências culturais e desafios da comunidade. Essa proximidade, entretanto, não significa conhecer integralmente as experiências dos estudantes nem garante uma prática contextualizada. É necessário associá-la à escuta, à observação e ao diálogo, preservando os limites da atuação docente. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre as contribuições e os desafios de atuar pedagogicamente na comunidade em que se vive, considerando uma experiência com o ensino do voleibol e suas repercussões na formação de um bolsista do PIBID. A experiência foi desenvolvida na Escola Municipal de Ensino Fundamental Moacyr Ramos Martins, em Uruguaiana/RS. O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato de experiência, construído a partir da participação e do acompanhamento das aulas de Educação Física. As reflexões foram produzidas mediante observação direta, registros das situações vivenciadas, planejamento e avaliação das intervenções. Não foram empregados instrumentos formais para mensurar aprendizagem ou participação; os resultados correspondem às percepções construídas pelo bolsista durante sua inserção. As aulas de voleibol foram organizadas progressivamente, contemplando familiarização com a bola, deslocamentos, toque, manchete, saque e situações de jogo. Regras, espaços, materiais e agrupamentos foram adaptados conforme as características das turmas e as respostas dos estudantes. As propostas abordaram fundamentos técnicos, cooperação, comunicação, respeito às diferenças e participação coletiva. A reflexão foi organizada em três eixos: pertencimento territorial e aproximação com a comunidade; planejamento e participação; e aprendizagens da formação docente. No primeiro eixo, a vivência na região favoreceu o reconhecimento de referências e formas de interação presentes no cotidiano dos estudantes, facilitando conversas e a aproximação com a turma. O conhecimento de características locais também auxiliou na compreensão de situações mencionadas pelos alunos. Contudo, compartilhar o mesmo território não significa possuir trajetórias ou condições de vida idênticas. Foi necessário evitar interpretações baseadas apenas na familiaridade com a região e compreender cada estudante a partir de suas manifestações. O pertencimento territorial mostrou-se relevante quando articulado à escuta e ao reconhecimento da diversidade existente na comunidade. No segundo eixo, observou-se que a organização progressiva e as adaptações favoreceram a aproximação de estudantes com diferentes níveis de experiência no voleibol. Atividades em duplas e pequenos grupos ampliaram o contato com a bola e reduziram o tempo de espera, enquanto modificações nas regras e no espaço possibilitaram maior continuidade das jogadas. Alguns estudantes inicialmente demonstraram dificuldade ou receio de participar, exigindo explicações, demonstrações e acompanhamento próximo. Ao longo das propostas, foram observadas maior disposição para experimentar os fundamentos e situações de auxílio entre colegas. Essas manifestações foram compreendidas como indícios de envolvimento, sem representar comprovação de aprendizagem técnica ou de mudança permanente na participação. O conhecimento da realidade local contribuiu para contextualizar as escolhas, mas foram as respostas durante as aulas que orientaram as adaptações. No terceiro eixo, a experiência demonstrou que o trabalho docente não se resume ao domínio dos conteúdos esportivos. A condução das aulas exigiu planejamento, comunicação, mediação de conflitos, reorganização das propostas e reflexão sobre as relações. A proximidade com a comunidade facilitou alguns vínculos, mas também exigiu atenção aos limites profissionais, evitando que a familiaridade substituísse critérios pedagógicos. O bolsista passou a reconhecer que atuar no território em que vive envolve responsabilidade com a escola, com as relações comunitárias e com as singularidades dos estudantes. A experiência também favoreceu maior autonomia para conduzir atividades e tomar decisões. Conclui-se que o pertencimento à comunidade pode contribuir para uma atuação contextualizada, desde que não seja compreendido como garantia automática de conhecimento sobre os estudantes. Na experiência relatada, a proximidade territorial, associada à escuta, à observação e ao planejamento, favoreceu a construção de vínculos e a elaboração de propostas atentas às características das turmas. As vivências no PIBID ampliaram a compreensão sobre a relação entre escola, universidade e território, reforçando que a formação docente se constrói nas práticas e relações do cotidiano escolar.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

 ENTRE ESCOLA E COMUNIDADE: CONTRIBUIÇÕES DO TERRITÓRIO PARA A FORMAÇÃO DOCENTE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122624. Acesso em: 22 out. 2026.