Clube de Ciências Como Espaço de Formação de Professores: Relato de Experiência no Pibid
Palavras-chave:
Formação, inicial, Prática, docente, Ensino, CiênciasResumo
Um dos aspectos fundamentais na formação de professores é o contato direto com a realidade escolar. É por meio dessa experiência que o futuro professor pode vivenciar situações do cotidiano que só podem ser plenamente compreendidas dentro do próprio contexto escolar, aproximando os conhecimentos adquiridos durante sua formação da prática docente. Nesse contexto, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) possibilita aos bolsistas uma maior aproximação com a realidade das escolas, criando condições para que os conhecimentos construídos na universidade sejam confrontados com as demandas do dia a dia da sala de aula. É nesse cenário que o Clube de Ciências se insere como uma das atividades do PIBID realizadas na escola parceira, se tornando um espaço de aprendizado mútuo. Diante disso, o seguinte relato busca analisar as contribuições das experiências vivenciadas por um bolsista do PIBID em um Clube de Ciências, considerando a relação entre os conhecimentos construídos na universidade e as situações vivenciadas no cotidiano escolar. As ações foram realizadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental Iris Valls, na cidade de Uruguaiana, envolvendo alunos do 2º ao 5º ano do fundamental e os demais colegas do PIBID. A existência do Clube está diretamente ligada ao PIBID, onde o Programa não só impactou o cotidiano dos alunos, mas também impulsionou a adequação do espaço físico utilizado. A sala originalmente destinada à leitura foi ressignificada ao longo do projeto, com a aquisição de vidrarias e um microscópio. Embora ainda não seja um laboratório de ciências, há perspectivas de que o espaço se consolide futuramente como ambiente de construção do conhecimento científico. As atividades do Clube foram organizadas a partir do planejamento coletivo, buscando desenvolver propostas que estimulassem a participação ativa dos alunos para a construção dos conhecimentos científicos. Durante os encontros, foram exploradas práticas experimentais, observações, construção de materiais pedagógicos, entre outras atividades. Essas experiências vivenciadas no Clube possibilitaram a utilização de diversas metodologias, em que cada bolsista contribuiu com suas próprias ideias, conhecimentos e formas de pensar para o planejamento e a execução das propostas com os alunos. Um exemplo dessa relação entre planejamento e prática ocorreu durante uma atividade de observação do pátio da escola, realizada com alunos do 2º ano. Inicialmente, houve uma insegurança em relação à realização da atividade, principalmente pela expectativa de que os alunos, por serem mais novos, pudessem apresentar dificuldades para seguir as instruções. Entretanto, durante a aplicação os alunos demonstraram interesse e conseguiram desenvolver a proposta conforme o planejado, com muitos querendo que a atividade tivesse mais tempo. A experiência permitiu perceber que as expectativas construídas pelo professor em formação nem sempre correspondem ao comportamento dos alunos durante a prática, evidenciando a importância de proporcionar oportunidades para que os bolsistas vivenciem diretamente diferentes situações de ensino. No exemplo citado, onde esperávamos distração e bagunça, houve uma forte curiosidade dos alunos pela natureza que a escola abriga, mostrando que, mesmo sendo os mais novos, as crianças já revelam um interesse na investigação científica. A participação contínua nas atividades também contribuiu para o desenvolvimento da autonomia dos bolsistas, aumentando a segurança em reger as turmas e na tomada de decisões durante os encontros, como na escolha de materiais, na condução das atividades e nos ajustes feitos a partir das respostas dos alunos. A necessidade de planejar propostas, conduzir as atividades, interagir com os alunos e realizar adaptações durante sua execução proporcionou maior familiaridade com diferentes aspectos da prática docente. Dessa forma, o Clube de Ciências não se mostrou apenas como um espaço de aprendizagem para os alunos participantes, mas também como um ambiente formativo para os bolsistas envolvidos. Nesse sentido, a experiência evidencia que a formação docente se fortalece quando a teoria é vivenciada, confrontada com a realidade e acompanhada de reflexão. O Clube de Ciências, no âmbito do PIBID, oferece esse espaço ao permitir que os bolsistas planejem, executem e reelaborem propostas a partir do contato direto com os alunos, favorecendo a compreensão dos desafios da prática, o desenvolvimento da autonomia e a capacidade de adaptação. Assim, os Clubes de Ciências complementam a formação universitária ao aproximar os futuros professores da realidade escolar.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Clube de Ciências Como Espaço de Formação de Professores: Relato de Experiência no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122588. Acesso em: 27 out. 2026.