Os Investimentos Chineses, Zees e Brics: Uma Análise Comparativa Entre Brasil e Africa do Sul

Autores

  • Giovana de Aquino Camello
  • Bruna Berkai da Silva Santos
  • Rafael Balardim

Palavras-chave:

BRICS, Investimento, Estrangeiro, Direto, Zonas, Econômicas, Especiais, China

Resumo

A formação dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) consolidou-se como um dos principais marcos da globalização no século XXI, impulsionando visões de desenvolvimento e modernização no Sul Global. A ascensão da China, por meio de estratégias como o Going Global (1999) e a Belt and Road Initiative (2013), intensificou os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED), infraestrutura e cooperação financeira. No entanto, a ampliação da presença chinesa em países emergentes, especialmente Brasil e África do Sul, levanta debates sobre os impactos socioeconômicos e ambientais desses investimentos, em um cenário global marcado pela retórica da desglobalização e pela reorganização das cadeias produtivas. O trabalho busca responder em que medida os investimentos chineses no Brasil e na África do Sul, particularmente via zonas econômicas especiais (SEZs), representam uma alternativa às formas tradicionais de dependência Norte-Sul ou se reproduzem práticas de exploração de recursos naturais, trabalho precarizado e assimetrias estruturais. O objetivo é analisar comparativamente as dinâmicas desses investimentos, articulando as relações intra-BRICS ao contexto da crise da ordem liberal internacional e do debate sobre desglobalização. A pesquisa dialoga com abordagens críticas da economia política internacional, em especial contribuições de Harvey (2007, 2018) sobre acumulação por espoliação, e análises sobre o Consenso de Pequim (Svampa & Slipak, 2015), que apontam para a permanência de um modelo exportador de commodities. Além disso, considera debates sobre South-South Cooperation e as tensões entre processos de desglobalização e de reconfiguração multipolar. Foram combinadas técnicas de pesquisa etnográfica, bibliografia relativa a entrevistas com trabalhadores e atores locais, além da análise de bases de dados abertos, relatórios oficiais, literatura acadêmica e cobertura midiática. O recorte privilegia o Polo Industrial de Manaus (Brasil) e a zona econômica especial de Musina-Makhado (África do Sul), permitindo avaliar dinâmicas de trabalho, meio ambiente e desenvolvimento. Os achados apontam que, embora os investimentos chineses ofereçam alternativas aos financiamentos ocidentais com fortes condicionalidades, persistem padrões de dependência e vulnerabilidade. No Brasil, a presença chinesa concentrou-se em setores estratégicos como energia elétrica, petróleo e agronegócio, reforçando a primarização da pauta exportadora. Na África do Sul, os investimentos em SEZs priorizaram infraestrutura e mineração, com menor transparência em relação a empréstimos e políticas de cooperação. Em ambos os casos, observa-se uma reprodução da divisão internacional do trabalho, com a exportação de commodities e a importação de manufaturas chinesas, além de impactos ambientais e trabalhistas negativos. Conclui-se que, embora os BRICS se apresentem como alternativa ao modelo hegemônico do Norte Global, as relações com a China permanecem assimétricas. A construção de uma agenda verdadeiramente Sul-Sul depende de maior protagonismo dos países parceiros, de políticas de regulação mais eficazes e da incorporação de demandas sociais e ambientais nos processos de cooperação. Sem esses avanços, há risco de que o Sul Global apenas reproduza velhas formas de subordinação sob novas narrativas.Este estudo analisou os investimentos Sul-Sul sob uma perspectiva crítica, comparando os investimentos chineses no Brasil (MIP) e na África do Sul (MMSEZ). Três dimensões foram destacadas: o caráter geopolítico do BRICS, a assimetria nas relações intra-BRICS e os impactos socioambientais e laborais das Zonas Econômicas Especiais lideradas por chineses. Os casos estudados indicam que, dentro do modo de produção capitalista, esses investimentos não oferecem alternativas econômicas positivas para trabalhadores, comunidades e meio ambiente. A narrativa de benefício mútuo promovida pela China não se reflete na realidade local. No modelo da MFTZ em Manaus, apesar do crescimento econômico, persistem desigualdade, violência e ausência de políticas públicas eficazes, de modo que os ganhos para a população advêm principalmente da luta da classe trabalhadora, e não de políticas estatais. Já na MMSEZ em Musina-Makhado, a degradação ambiental é justificada em nome da economia local, mas as ameaças climáticas e a falta de qualificação da força de trabalho indicam um cenário de perda dupla para emprego e sustentabilidade. Os resultados sugerem que os investimentos Sul-Sul e a atuação do BRICS, embora impulsionem a globalização, não garantem alternativas social e ambientalmente sustentáveis. Uma agenda Sul-Sul mais equitativa dependeria de objetivos do Sul global, e não apenas da China. Sem uma análise crítica, a adesão a essas estratégias pode perpetuar padrões históricos de exploração e desigualdade, comprometendo o potencial transformador desses investimentos.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Os Investimentos Chineses, Zees e Brics: Uma Análise Comparativa Entre Brasil e Africa do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/122089. Acesso em: 12 maio. 2026.