Relato de Caso Rinite Crônica Bacteriana e Fúngica em Cão da Raça Pastor Maremano
Palavras-chave:
Enfermidade, respiratória, Rinoscopia, Aspergillus, sppResumo
A rinite crônica em cães é uma enfermidade respiratória de evolução lenta, caracterizada por inflamação persistente da mucosa nasal, geralmente acompanhada de secreção purulenta ou mucopurulenta, espirros, congestão e, em estágios avançados, deformidades faciais decorrentes da destruição óssea. Embora relativamente incomum na rotina clínica, apresenta grande relevância devido à dificuldade diagnóstica e ao impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes, visto que seus sinais são inespecíficos e podem ser confundidos com quadros alérgicos ou infecciosos transitórios, o que frequentemente leva a atrasos na investigação e no início do tratamento adequado. Trata-se de uma condição multifatorial, frequentemente associada a microrganismos oportunistas como Staphylococcus spp., Escherichia coli e Pseudomonas spp., além de fungos, principalmente Aspergillus spp., microrganismos que apresentam elevada capacidade de adaptação e resistência terapêutica. Coinfecções bacterianas e fúngicas são relativamente comuns e contribuem para a refratariedade do quadro clínico, tornando essencial uma avaliação criteriosa. O diagnóstico requer abordagem multimodal, incluindo anamnese detalhada, exame físico completo, exames de imagem, rinoscopia, culturas microbiológicas e histopatologia, fundamentais não apenas para estabelecer o diagnóstico definitivo, mas também para excluir diferenciais relevantes como corpos estranhos, neoplasias e processos alérgicos. O presente relato descreve o caso de uma canina da raça Pastor Maremano, fértil, com nove meses de idade, atendida no Hospital Veterinário da UNIPAMPA em abril de 2025. O animal, adotado aos quatro meses de idade, apresentava secreção nasal purulenta inicialmente bilateral, tornando-se mais evidente na narina direita, acompanhada de edema e hiperemia da mucosa. Ao exame físico, encontrava-se em bom estado geral, porém com edema nasal e dificuldade na passagem de ar, o que reforçou a necessidade de exames complementares. Foram realizados exames hematológicos, radiográficos e microbiológicos. O hemograma revelou discreta eosinofilia; as radiografias evidenciaram aumento de radiopacidade em conchas nasais e seio frontal direito, associado à perda da definição dos etmoturbinados, compatível com rinite e sinusite; e a citologia nasal indicou rinite supurativa com descamação epitelial acentuada e presença significativa de cocos e bacilos. Culturas bacterianas sucessivas confirmaram Staphylococcus coagulase negativa, Escherichia coli e Pseudomonas spp., microrganismos sensíveis principalmente a fluoroquinolonas e aminoglicosídeos, reforçando a natureza oportunista da infecção. A cultura fúngica inicial foi negativa, resultado possível em amostras superficiais ou em fases iniciais de colonização. Instituiu-se tratamento com ciprofloxacino, difenidramina e higienização nasal periódica, obtendo-se apenas melhora parcial, sem resolução clínica. Diante da persistência dos sinais, realizou-se rinoscopia, que revelou discreto espessamento da mucosa e secreção mucoide moderada, sem presença de corpo estranho, e o histopatológico evidenciou processo inflamatório crônico linfocitário, condizente com evolução prolongada. Novas coletas microbiológicas confirmaram isolamento de Aspergillus spp., estabelecendo o diagnóstico definitivo de coinfecção bacteriana e fúngica. Assim, o tratamento foi redirecionado para itraconazol por via oral e fluticasona spray, além de medidas ambientais como manutenção em local seco, arejado e protegido, evitando poeira e umidade, fatores predisponentes para recidiva. O acompanhamento clínico semanal possibilitou ajustes terapêuticos individualizados. Após 30 dias, a paciente apresentou evolução satisfatória, com regressão completa dos sinais e cura clínica. O caso evidencia a complexidade diagnóstica e terapêutica da rinite crônica em cães e destaca a importância da investigação de coinfecções, do uso de protocolos diagnósticos multimodais e da instituição de terapias direcionadas, além do monitoramento contínuo como determinante para o sucesso terapêutico, prevenção de recidivas e manutenção da qualidade de vida do paciente.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Relato de Caso Rinite Crônica Bacteriana e Fúngica em Cão da Raça Pastor Maremano. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121917. Acesso em: 13 jun. 2026.