Ventos Alísios: Impactos Meteorológicos e Ambientais no Nordeste Brasileiro
Palavras-chave:
Circulação, atmosférica, Semiárido, Energia, eólicaResumo
Os ventos alísios, caracterizados por sua predominância de leste para oeste a partir do Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul, constituem um dos principais sistemas atmosféricos que controlam a circulação de baixos e médios níveis sobre o Nordeste do Brasil, modulando o transporte oceânico de umidade, a variabilidade térmica regional e os regimes de precipitação associados à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste trabalho, buscou-se caracterizar a entrada e a estrutura vertical dos ventos alísios com base em dados de 50 estações de radiossondagem, com destaque para localidades estratégicas como São Luís (MA), Natal (RN) e Belém (PA), cuja análise dos perfis verticais de vento, temperatura e umidade permite observar a intensidade, a persistência e a sazonalidade desse sistema atmosférico. Os resultados preliminares evidenciam a predominância de ventos de leste entre 950 e 700 hPa, associados à penetração da umidade marítima e ao acoplamento com a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), fenômeno que proporciona um aporte considerável de umidade e precipitação sobre o litoral e regiões adjacentes. No interior do semiárido, a limitação desse transporte atmosférico contribui para longos períodos de estiagem, elevada irregularidade pluviométrica e menor disponibilidade hídrica. Essa variabilidade atmosférica é fortemente modulada por fenômenos de escala global, como El NiñoOscilação Sul (ENOS) e o dipolo do Atlântico, os quais alteram a posição e intensidade da ZCIT, intensificando tanto secas prolongadas quanto eventos de precipitação concentrada, com impactos diretos sobre a dinâmica ecológica, econômica e social da região. Do ponto de vista ambiental, a entrada regular dos ventos alísios garante a manutenção de ecossistemas costeiros sensíveis, como manguezais e restingas, influencia a temperatura superficial e regula o conforto térmico ao longo do litoral nordestino. Já no semiárido, a baixa capacidade desses ventos em transportar grandes volumes de umidade acentua vulnerabilidades socioeconômicas, pressiona a disponibilidade de recursos hídricos, potencializa processos de desertificação, compromete a sustentabilidade da agricultura e limita o desenvolvimento de atividades econômicas dependentes da água, evidenciando o papel central da circulação atmosférica na configuração dos padrões climáticos, ambientais e sociais do Nordeste brasileiro. Em contrapartida, a constância e a intensidade desses ventos tornam a região Nordeste um dos pólos estratégicos de geração de energia eólica no Brasil, representando um potencial ambiental e econômico significativo. Como perspectiva futura, pretende-se ampliar este estudo com cálculos de fluxos integrados de vapor dágua e gradientes de pressão nos níveis de 925, 850 e 700 hPa, o que permitirá avaliar de forma mais precisa a entrada de umidade oceânica e sua interação com sistemas de larga escala, com especial interesse nos impactos sobre a Amazônia, onde a reciclagem de umidade desempenha papel crucial no regime de chuvas, e sobre o Rio Grande do Sul, onde eventos de enchentes recentes têm sido potencializados por rios atmosféricos e pelo Jato de Baixos Níveis. Essa análise integrada, que conecta a circulação alísia do Nordeste às teleconexões amazônicas e aos extremos hidrometeorológicos no Sul do país, reforça a importância de compreender a variabilidade espaço-temporal dos ventos alísios não apenas em escala regional, mas também continental, como subsídio para políticas públicas de mitigação de vulnerabilidades climáticas, planejamento hídrico, desenvolvimento agrícola sustentável, expansão energética e fortalecimento de sistemas de monitoramento e alerta a eventos extremos que impactam diretamente a sociedade brasileira.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Ventos Alísios: Impactos Meteorológicos e Ambientais no Nordeste Brasileiro. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121706. Acesso em: 14 maio. 2026.