Características da Anomalia Magnética do Atlântico Sul entre 1900 e 2025

Autores

  • Francisco José Oliveira de Souza
  • Edu Pacheco Rockenbach
  • Éverton Frigo

Palavras-chave:

Geomagnetismo, Campo, Geomagnético, Efeitos, Geomagnéticos

Resumo

A Terra possui um campo magnético gerado naturalmente, que desempenha funções essenciais para a manutenção da vida no planeta. Esse campo, denominado campo geomagnético, é produzido pelo processo de geodínamo, que opera no núcleo externo da Terra. Nessa região do interior terrestre a energia mecânica associada ao material fluido e bom condutor elétrico em convecção, influenciado também pela rotação da Terra, é convertida em energia eletromagnética. O campo geomagnético produzido por este mecanismo se estende pelo espaço ao redor do planeta e atua como um escudo protetor, desviando parte significativa das partículas eletricamente carregadas provenientes do Sol e de outras regiões do cosmos. A indução de correntes elétricas em instrumentos em órbita a bordo de satélites, em redes de transmissão de energia elétrica, bem como os efeitos nocivos da radiação sobre a vida, estão entre os problemas causados pela penetração dessas partículas até altitudes mais próximas da superfície terrestre. A entrada dessas partículas é máxima em regiões onde a barreira geomagnética é mais fraca, o que ocorre principalmente nas regiões polares, onde o campo magnético é predominantemente vertical. Já em latitudes médias e baixas, as áreas mais vulneráveis são aquelas em que a intensidade do campo magnético terrestre é anomalamente baixa. A Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), que atualmente abrange parte do Oceano Atlântico, da América do Sul e do Oceano Pacífico, é a região onde se observam os menores valores de intensidade total (F) do campo geomagnético em toda a superfície terrestre. A compreensão mais aprofundada da dinâmica espaço-temporal da AMAS é fundamental para o entendimento e prevenção de danos decorrentes de sua existência, tanto no geoespaço quanto na superfície da Terra. Neste trabalho, é apresentado um estudo sobre a evolução da área de abrangência, o deslocamento e a variação da intensidade geomagnética no centro da AMAS entre os anos de 1900 e 2025. Os dados utilizados consistem em valores de F obtidos a partir do Modelo Internacional de Referência do Campo Geomagnético (IGRF-13). O programa computacional para rodar o modelo foi desenvolvido na linguagem Fortran, é de acesso livre e distribuído gratuitamente pela internet. Foram utilizados dados de intensidade total com resolução espacial de 1° em latitude e 1° em longitude para todo o globo terrestre. A resolução temporal adotada foi de 5 anos. A partir desses valores, foram gerados mapas de F utilizando a plataforma Generic Mapping Tools (GMT). A análise dos resultados consistiu na definição da área da AMAS com base em diferentes valores de isolinhas de F. Também foi estimada a posição do centro da anomalia, definida como o menor valor de F registrado em cada ano investigado. Em 1900, o centro da AMAS estava localizado na posição geográfica de 22°S e 38°W, onde o valor de intensidade total predito pelo IGRF era de 25.464 nT. Nas décadas subsequentes o centro da AMAS mudou de posição, passando a situar-se em 26°S 60°W no ano de 2025. Nessa posição atual, o valor de intensidade total registrado é de 22.106 nT. Durante sua deriva ao longo do último século, o centro da AMAS atravessou o território do sul do Brasil de leste para oeste. Atualmente o centro da anomalia está sobre o território do Paraguai. A taxa média de decréscimo da intensidade total, observada ao longo dos 125 anos analisados, foi de 134 nT por ano. Verifica-se uma significativa aceleração da taxa de decréscimo de F após o ano de 1940. A análise dos mapas de intensidade geomagnética total, com base na isolinha de F de 30.000 nT, revela um aumento progressivo da área da AMAS. Em síntese, os resultados obtidos indicam que a AMAS apresenta deslocamento predominantemente para o oeste, ampliação de sua área de abrangência e diminuição do valor mínimo do campo registrado em seu centro. Esse padrão de comportamento se manteve durante todo o período de 125 anos analisado. A continuidade dessa tendência nas próximas décadas poderá acarretar a ocorrência, no sul do Brasil, de fenômenos e problemas atualmente observados apenas em regiões de altas latitudes do hemisfério norte. O aprofundamento de estudos similares a este possibilitará uma melhor compreensão dos fenômenos geradores da AMAS e dos seus efeitos.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Características da Anomalia Magnética do Atlântico Sul entre 1900 e 2025. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121406. Acesso em: 14 maio. 2026.