Gestão do Trabalho e Segurança do Paciente na Assistência Obstétrica
Palavras-chave:
Organização, trabalho, Gestão, enfermagem, Qualidade, segurançaResumo
A organização do trabalho em saúde representa um dos pilares para a consolidação da cultura de segurança do paciente, especialmente em ambientes de alta complexidade como a obstetrícia, nos quais a sobrecarga de atividades, a escassez de recursos e a necessidade de resposta rápida configuram riscos permanentes para a qualidade do cuidado. Este estudo foi desenvolvido em um hospital de ensino localizado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, com o objetivo de analisar a influência de fatores relacionados à gestão e à organização do trabalho sobre a segurança do paciente e a ocorrência de omissões assistenciais na área obstétrica. Tratou-se de pesquisa de abordagem quantitativa, incluindo a aplicação do questionário MISSCARE-BRASIL, o qual foi respondido por 17 profissionais de enfermagem atuantes no Centro Obstétrico ou na Maternidade. O instrumento MISSCARE-BRASIL, adaptado e validado culturalmente para uso no Brasil, é um questionário autoaplicável, composto por duas dimensões principais: as práticas de cuidado de enfermagem considerando se são realizadas ou omitidas, e os fatores que contribuem para a omissão do cuidado relacionados à equipe, materiais, comunicação e sobrecarga de trabalho. De modo geral, os dados indicam, elevada adesão aos cuidados, com predomínio de nunca omitido em diversos itens: apoio emocional ao paciente/família (70,6%); banho/higiene/cuidados com a pele (70,6%); higiene bucal (76,5%); higienização das mãos (82,4%); administração de medicamentos no horário prescrito (64,7%); avaliação de sinais vitais (76,5%); controle da glicemia capilar (82,4%); atendimento à chamada do paciente em 5 minutos (76,5%); solicitações para administração de medicamentos em 15 minutos (70,6%); cuidados com pele/feridas (70,6%); avaliação do paciente a cada turno (70,6%); planejamento/ensino para alta hospitalar e participação em discussão interdisciplinar (75%). Quanto às razões para omissão, destacou-se o número insuficiente de profissionais, aumento do volume ou gravidade dos pacientes, distribuição desigual de carga de trabalho, falhas na passagem de plantão, problemas de comunicação e indisponibilidade de insumos. Os achados apontam alto desempenho assistencial com baixa frequência de omissão declarada na maior parte dos cuidados, sobretudo aqueles críticos para a segurança (medicação no horário, sinais vitais, glicemia, higienização das mãos). Isso sugere priorização efetiva de práticas de risco imediato, acompanhada de boa execução de cuidados de conforto/continuidade (por exemplo, apoio emocional, higiene), que também mostraram prevalência de nunca omitido. Apesar disso, considera-se que o presente estudo apresenta algumas limitações que precisam ser consideradas na interpretação dos resultados, como por exemplo, o tamanho reduzido da amostra que restringe a generalização dos achados. Além disso, por se tratar de um questionário autoaplicável, existe a possibilidade de viés de desejabilidade social, com tendência dos participantes a reportarem maior adesão às práticas de cuidado esperadas. Apesar dessas limitações, os resultados trazem implicações importantes para a prática de enfermagem e para a gestão em saúde. A elevada adesão relatada aos cuidados críticos demonstra a relevância de manter e reforçar práticas já consolidadas, como a administração de medicamentos, a avaliação de sinais vitais e a higienização das mãos. Por outro lado, a identificação de fatores organizacionais, como número insuficiente de profissionais, aumento inesperado da demanda, distribuição desigual de pacientes, falhas na passagem de plantão e problemas de comunicação, aponta para a necessidade de aperfeiçoar a gestão de recursos humanos, materiais e de processos. Nesse sentido, protocolos estruturados de comunicação interprofissional, associados a estratégias de monitoramento contínuo, podem contribuir para a redução de riscos e a consolidação de uma cultura de segurança do paciente. Sugere-se que novos estudos ampliem o número de participantes. Além disso, abordagens qualitativas, como entrevistas e grupos focais, podem aprofundar a compreensão das percepções dos profissionais sobre as barreiras organizacionais, contribuindo para o fortalecimento da qualidade e da segurança na assistência em saúde.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Gestão do Trabalho e Segurança do Paciente na Assistência Obstétrica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121350. Acesso em: 7 jun. 2026.