Coinfecção por Babesia Spp. e Vírus da Cinomose em Um Cão: Relato de Caso

Autores

  • Angélica Callegaro de Morais
  • Patrick da Silva Magalhães
  • Risciela Brito

Palavras-chave:

Sistema, Nervoso, Doença, Infectocontagiosa, RT-PCR

Resumo

Doenças infectocontagiosas em cães podem afetar diversos sistemas orgânicos, sendo o sistema nervoso particularmente vulnerável a agentes como Babesia spp. e vírus da cinomose canina (CDV). Essas infecções podem provocar sinais neurológicos variados e, quando presentes simultaneamente, agravar significativamente o quadro clínico. Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de coinfecção por Babesia spp. e CDV em um cão atendido no Hospital Veterinário da UNIPAMPA, destacando os achados clínicos, laboratoriais e a relevância do diagnóstico precoce. Em janeiro de 2025, foi atendida no Hospital Veterinário da UNIPAMPA uma cadela sem raça definida, castrada, cinco anos, 8,45 kg, apresentando perda progressiva dos movimentos dos membros torácicos e pélvicos, com incapacidade de manter a postura quadrúpede. O histórico clínico incluía febre, vômitos, diarreia e resultado positivo para doença do carrapato em teste rápido previamente realizado em clínica privada em Uruguaiana/RS. Entretanto, a tutora não soube informar a marca do teste utilizado nem qual agente infeccioso foi identificado. O tratamento inicial instituído nessa clínica, à base de doxiciclina e dipirona, não resultou em melhora clínica, motivando o encaminhamento para novo atendimento. No exame físico, a cadela encontrava-se alerta, com tetraparesia não deambulante; reflexos patelares e de retirada estavam preservados, assim como os nervos cranianos e a mobilidade cervical e cefálica, além de não demonstrar dor. O exame clínico geral como coloração das mucosas, temperatura, frequências cardíacas e respiratória não apresentava alterações. Diante dos sinais neurológicos graves e do histórico de doença transmitida por carrapatos, foram realizados hemograma, perfil bioquímico, radiografias das colunas cervical, torácica e lombar e urinálise. Não foram identificadas alterações radiográficas compatíveis com doença do disco intervertebral a qual justificasse a tetraparesia, reforçando a suspeita de enfermidade infectocontagiosa. Considerando a gravidade do quadro e a necessidade de identificar rapidamente possíveis agentes etiológicos, optou-se pela realização do exame molecular RT-PCR qualitativo, pela sua maior sensibilidade e abrangência diagnóstica para o teste diagnóstico foram coletadas amostras de líquor, sangue total e urina sob anestesia geral. O material foi encaminhado ao Laboratório TECSA (Belo Horizonte/MG) para análise por meio do painel neurológico canino completo, capaz de detectar nove agentes infecciosos, sendo eles, o vírus da cinomose canina, Neospora caninum, Toxoplasma gondii, Cryptococcus spp., Ehrliquia spp., Blastomyces dermatitidis, Histoplasma capsulatum e Coccidioides spp. Enquanto aguardavam-se os resultados, instituiu-se tratamento empírico com prednisolona (1 mg/kg), clindamicina (10 mg/kg), tramadol (2 mg/kg) e imidocarb (5 mg/kg), visando controle da resposta inflamatória, analgesia, tratamento de hemoparasitoses e cobertura antimicrobiana ampla. O RT-PCR identificou coinfecção por Babesia spp. e vírus da cinomose canina (CDV). A paciente veio a óbito logo após a confirmação da coinfecção, não havendo tempo hábil para o início do tratamento adequado. O presente relato descreveu um caso de coinfecção por Babesia spp. e vírus da cinomose canina em um cão com sinais neurológicos graves, evidenciando a complexidade diagnóstica de enfermidades infecciosas com manifestações sobrepostas. A detecção simultânea dos agentes pelo RT-PCR reforça a importância do uso precoce de métodos moleculares sensíveis na prática clínica, especialmente em pacientes com histórico compatível e evolução rápida. A experiência relatada demonstra que coinfecções podem potencializar a gravidade do quadro e comprometer a resposta terapêutica, ressaltando a necessidade de abordagem diagnóstica integrada e de intervenções precoces para aumentar as chances de sucesso no manejo de doenças infectocontagiosas em cães.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Coinfecção por Babesia Spp. e Vírus da Cinomose em Um Cão: Relato de Caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121229. Acesso em: 17 maio. 2026.