Clube de Ciências: Formando Protagonistas na Cultura Científica

Autores

  • Gabriel Ancina
  • Chrystyan Ariovaldo Cortes dos Satos
  • Julia Garcia de Souza
  • Ketelin Monique Cavalheiro Kieling
  • Carla Beatriz Spohr
  • Raquel Ruppenthal

Palavras-chave:

progresso, prática, investigativa, engajamento

Resumo

O ensino de ciências na escola deve ir além da teoria. Na Educação Básica muitos estudantes, por vezes, se vêem sem saber onde utilizarão certos conhecimentos. Diante disso, este trabalho visa descrever e tecer reflexões acerca da implementação de um Clube de Ciências em uma escola pública da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. A iniciativa se alinha à visão de Mancuso (2008), que defende os clubes como espaços privilegiados de cultura científica, configurando-se como um local de resistência ao ensino puramente expositivo e de fomento à vocação para as ciências. O projeto vem sendo desenvolvido na EMEB Rui Barbosa (Uruguaiana-RS), vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID. O Clube de Ciências vem sendo desenvolvido com dois grupos discentes, um formado por estudantes dos 6º e 7º anos e o outro por estudantes dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. O projeto tem como objetivo tornar a ciência mais acessível e prática para os estudantes através da investigação e fomento ao protagonismo dos mesmos. Para tanto, a abordagem metodológica centrou-se no desenvolvimento de conhecimentos procedimentais de ciências, inspirada pela prática investigativa. Desde os primeiros encontros foram estabelecidas normas para o progresso do clube, a principal delas aborda que os temas dos encontros quinzenais seriam escolhidos a partir de propostas levadas pelos clubistas, através de um consenso entre eles e as atividades acerca do assunto planejadas e coordenadas pelos pibidianos, porém sempre com o foco da realização da atividade pelo estudante. Dentre as atividades realizadas, é possível citar desde a leitura de textos de apoio e fragmentos de artigos científicos, a confecção de mapas mentais e roteiros para vídeos de divulgação científica, a elaboração de perguntas para pesquisas, a confecção de questionários digitais e físicos para aplicação como instrumento de coleta de dados, até a análise e a confecção de lâminas de tecido muscular bovino com a utilização de corantes simples como azul de metileno para melhorar observação no microscópio. Os estudantes foram instigados constantemente durante os processos investigativos: no levantamento de hipóteses, nas leituras, na execução dos procedimentos, nos testes e nos ajustes necessários. Decorridos alguns meses desde a implementação do Clube de Ciências, observou-se uma nítida evolução no engajamento dos participantes do grupo dos 6º e 7º anos. A postura passiva está gradualmente sendo substituída por uma atitude de curiosidade ativa e colaboração, evidenciada quando os alunos passaram a testar novas hipóteses e formular perguntas que conectavam os experimentos com fenômenos do seu cotidiano. Os estudantes não apenas construíram artefatos, mas também propuseram assuntos, questionaram os resultados e passaram a se enxergar como agentes capazes de investigar o mundo ao seu redor. Entretanto no grupo dos 8º e 9º anos, a consolidação do protagonismo encontrou desafios como a infrequência e a baixa adesão dos estudantes. Nas reuniões iniciais do Clube de Ciências haviam apenas oito estudantes e já nos primeiros encontros as faltas e desistências foram alarmantes. Essa observação dialoga com os estudos na área da psicologia da educação, que apontam que estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental tendem a enfrentar um aumento da pressão acadêmica e social, o que pode impactar a participação em atividades extra curriculares (Bzuneck, 2001; Oliveira, 2010). Compreender este fenômeno tornou-se, portanto, um dos focos de reflexão do projeto. A partir disso estão sendo avaliadas estratégias para aumentar o engajamento dos estudantes dos 8º e 9º anos e a proposição de novas práticas. Apesar disso, nos encontros que tivemos, mesmo com poucos integrantes, foi possível trabalhar principalmente em assuntos relacionados à vida aquática, o que nos remetia ao rio Uruguai (rio que beira à cidade de Uruguaiana), conhecimentos esses que posteriormente irão embasar as pesquisas da feira de ciências da escola que tem como tema geral a vida marinha. Conclui-se, portanto, que a articulação entre os procedimentos e o pensamento científico no ambiente do Clube de Ciências é uma ferramenta potente para a construção do protagonismo estudantil. A experiência demonstra que, ao transformar problemas em projetos, é possível mover os alunos da teoria à bancada, consolidando um ensino de ciências significativo e duradouro, essencial à sua formação integral.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-10-26

Como Citar

Clube de Ciências: Formando Protagonistas na Cultura Científica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121186. Acesso em: 17 abr. 2026.