Diversidade e Sensibilidade: Características da Demanda Estudantil para Atuar com Palhaçaria
Palavras-chave:
Extensão, Universitária, Arte, Saúde, Diversidade, AcadêmicaResumo
A palhaçaria, enquanto estratégia de cuidado e comunicação, tem se afirmado como um campo relevante no diálogo entre saúde e arte. Inserida na perspectiva da promoção da saúde, essa prática valoriza o riso, o improviso, a escuta afetiva e o encontro humano como elementos que contribuem para o bem-estar físico, emocional e social dos sujeitos. No projeto de extensão PalhaSUS do Pampa da Universidade Federal do Pampa, a palhaçaria se apresenta como ferramenta de formação crítica e sensível de futuros profissionais da saúde, atuando em espaços institucionais e comunitários com o objetivo de promover vínculos, reflexões e afetos. Este trabalho tem por objetivo apresentar as características da demanda estudantil por este projeto de extensão. As informações foram coletadas no formulário de inscrições no processo seletivo realizado no mês de maio de 2025, de acesso da coordenação e pelas autoras deste trabalho, que integram o subgrupo que compõem o PalhaSUS, responsável pelo processo seletivo. Deste modo, serão apresentados os cursos de graduação, a semestralidade, o quesito raça/cor, o ingresso na Universidade por ações afirmativas e as formas de divulgação do projeto para a comunidade universitária, uma vez que o projeto PalhaSUS do Pampa procura acolher a diversidade estudantil e também pessoas da comunidade. Os resultados apontam que a maioria dos participantes é do curso de Medicina (47,4%), seguido por Medicina Veterinária (21,1%), Ciências da Natureza (15,8%) e Enfermagem (10,5%), além de uma pequena representação da Educação Física. A diversidade de cursos reforça a potência da palhaçaria como linguagem transversal e integradora, capaz de dialogar e construir com distintas áreas do conhecimento na produção de saúde. No que se refere à semestralidade dos participantes, observa-se uma concentração significativa no segundo semestre (26,3%), seguido do primeiro e do quinto, ambos com 21,1%. Também há representação de discentes do terceiro semestre (10,5%) e, em menor número, dos semestres quarto, sétimo, nono e décimo. Essa diversidade de níveis de formação revela que o interesse pela palhaçaria permeia tanto os estudantes em início de curso quanto os mais avançados, o que enriquece o grupo com diferentes olhares, experiências e expectativas. Do ponto de vista étnico-racial, a maioria se autodeclara branca (78,9%), seguida por pessoas pardas (10,5%) e pretas (5,3%). Uma parcela (5,3%) preferiu não declarar. Esse dado reflete um panorama racial ainda desigual dentro do ensino superior, seja de acesso, permanência, entre outros aspectos, mas também aponta a importância de ações que promovam a diversidade e o pertencimento nos projetos de extensão universitária. Em relação ao ingresso na universidade, 63,2% afirmaram não ter entrado por meio de ações afirmativas, enquanto 36,8% relataram que sim. Dentre essas, foram citadas modalidades como cota racial, renda, egresso de escola pública e deficiência. Esse aspecto é fundamental para compreender os caminhos de acesso ao ensino superior, a importância das ações afirmativas e de como a palhaçaria pode se tornar espaço de fortalecimento identitário, inclusão e protagonismo para estudantes de diferentes trajetórias. O modo como os(as) discentes tomaram conhecimento do projeto também revela aspectos relevantes da comunicação institucional, da rede de afetos e sociais: 36,8% souberam da iniciativa por e-mail institucional, 31,6% por amigos/colegas, 15,8% por meio do Instagram e 15,9% por outras vias, como o cartaz no restaurante universitário (RU) e o grupo de WhatsApp MedPampa. A presença marcante das redes interpessoais e dos canais internos reforça o papel das conexões humanas e dos espaços estudantis na difusão de práticas culturais e educativas. A partir desses dados, é possível afirmar que o interesse pela palhaçaria entre estudantes da saúde e afins não se limita ao desejo de participar de atividades lúdicas, mas reflete uma busca por formas mais sensíveis e humanas de se relacionar com o outro. A palhaçaria, nesse sentido, contribui para a formação de profissionais mais empáticos, críticos e atentos à singularidade das experiências humanas. Ao unir arte e cuidado, o projeto PalhaSUS promove um espaço de aprendizado vivo e transformador, onde o riso se torna linguagem de acolhimento e o corpo-palhaço se coloca como agente de escuta, presença e transformação. Considerando os princípios do SUS, os desafios contemporâneos da saúde pública e os preceitos da extensão universitária, iniciativas como essa são fundamentais para fomentar um modelo de atenção que valorize a integralidade, a criatividade e a alegria como parte essencial do cuidado na interface academia e comunidade.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Diversidade e Sensibilidade: Características da Demanda Estudantil para Atuar com Palhaçaria. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121112. Acesso em: 17 abr. 2026.